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ENTREVISTA

 

Um verdadeiro ídolo paranista

Ricardo Luis Pozzi Rodrigues, 32 anos, hoje é um jogador de futebol bem sucedido na vida. Mesmo assim, Ricardinho, o principal ídolo dos últimos tempos no Tricolor, não esquece do começo no Paraná. Paranista de coração, o entrevistado de julho do Paranistas.com.br falou sobre a carreira, incluindo o pentacampeonato pela seleção, e o futuro. Quanto a retornar  a jogar na Vila Capanema, o meia não confirma, mas há chances de isso ocorrer.

Escute aqui a entrevista com o Ricardinho

Ricardinho recentemente assinou um contrato de dois anos com o Al Rayyan do Qatar, depois de passar duas temporadas no Besiktas da Turquia. Em férias em Curitiba, o atleta visitou o futsal do Tricolor e concedeu esta entrevista.



O começo

Nascido em São Paulo, o menino Ricardo acabou chegando na capital paranaense por acaso. "Eu vim porque meu pai foi transferido para trabalhar aqui em Curitiba, em 1981. Eu tinha cinco para seis anos. Aí mudei e vim morar aqui", explica o jogador.

Na seqüência, quando decidiu jogar futsal, o Carnaval acabou influenciando para que Ricardinho começasse no então Pinheiros. "Porque tinha um tio que era sócio e um dia ele me trouxe no Carnaval que tinha aqui. Teve ter até hoje, a tarde, para a criançada. Eu gostei, vi o ginásio, falei que queria jogar bola e tal. Ele falou que eu devia vir nos treinamentos aqui, que tem escolhinha. Eu vim treinar uma vez, passei a jogar na equipe. Assim começou a minha história", relata o atleta.

Antes de passar para os gramados, o jogador ainda andou por diversas quadras de futsal pelo estado. "Joguei primeiro no Pinheiros, depois joguei três anos na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), um ano no Centro Israelita e depois voltei e já era Paraná. Aí  segui minha carreira que vocês já acompanharam, juvenil, júnior e profissional", relembra Ricardinho.



1995, o ano da promoção para o profissional

Com quase 19 anos, o então jovem atleta foi chamado para integrar uma equipe que era a atual bicampeã estadual. Até hoje o meia lembra quem foi o responsável por isso. "Em 95, o Otacílio me subiu para o profissional. Depois tive uma série de treinadores, competentes e outros nem tanto, mas que me ajudaram bastante nesta trajetória", afirma jogador.

Não deu outra: Tricolor tricampeão. A equipe vencedora daquele ano jogou a final com: Régis; Gil Baiano, Edinho, Ageu e Guilherme; Hélcio (Rossano), João Antônio, Paulo Miranda e Ricardinho (Denílson); Claudinho e Saulo. Técnico: Otacílio Gonçalves.

1996, o ano da consagração. 1997, a despedida.

Já mais experiente, foi justamente no tetracampeonato paranista que Ricardinho foi decisivo, tornado-se o grande ídolo que é até hoje. E não foi por caso. No último jogo do campeonato, diante de um Couto Pereira  com mais de 31 mil pessoas, o jogador marcou o gol da vitória paranista, aos 43 minutos do segundo tempo.

Graças ao talento do meio de campo, o Tricolor conseguiu assim o quarto título estadual consecutivo. O time paranista que atuou naquela partida histórica foi: Régis; Gil Baiano, Edinho e Fabio; Tcheco (Luciano), Sidnei, Paulo Miranda e João Santos; Mazinho Loyola (Ricardinho) e Carlos Alberto Dias. Técnico: Antônio Lopes.

Questionado sobre o gol mais importante com a camisa do Paraná, Ricardinho duvida no começo, mas realmente afirma que o gol de 96 foi decisivo. "Teve em 96 e em 97, no Boqueirão. Mas eu acho que pelo Paraná o gol mais importante foi aquele de 96, sem dúvida nenhuma".

O gol de 1997 ao que se refere o jogador é da final contra o União Bandeirantes, quando o Tricolor venceu por 3 a 0 e conquistou o pentacampeonato, fazendo a festa de um Vila Olímpica lotada. Ricardinho marcou o primeiro desta partida, logo aos três minutos do primeiro tempo.

Fechando as escalações vitoriosas do Paraná, que contaram com a presença deste ídolo, o time da final de 97 atuou com: Régis; Denílson, Ageu, Fabiano e Wendel; Sidnei, Reginaldo, Osmar e Ricardinho; Mazinho Loyola (Claudinho) e Caio Júnior. Técnico: Rubens Minelli.

Tricampeão estadual com a camisa paranista, o atleta valoriza todos os títulos e aproveita para agradecer ao time que o revelou. "Todos eles tiveram o mesmo peso. Foi o início, o Paraná me deu uma oportunidade e eu pude aproveitar. Eu sou muito grato ao Paraná por isso. E que bom que a gente tem história para poder falar e para poder passar para as pessoas do clube", comemora.

No mesmo ano Ricardinho saiu do Tricolor para ir jogar no francês Bordeaux. Em 81 partidas que o atleta disputou com a camisa tricolor, foram 42 vitórias, 19 empates e 20 derrotas, marcando 13 gols. No total da carreira, até agora, foram mais de 600 jogos disputados, com mais de 120 gols marcados.

O time do coração

Se a equipe que o torcedor admira para sempre é aquela que começa a gostar desde cedo, quando criança, Ricardinho dá uma dica sobre como é o coração dele. "O time de infância foi o Pinheiros e depois o Paraná", conta.

No total, em jogos profissionais por times brasileiros, o Tricolor na verdade é a terceira equipe onde Ricardinho mais atuou. Foram 277 partidas pelo Corinthians, 98  pelo Santos, 81 pelo Paraná e 64 jogos pelo São Paulo.

Mesmo assim, o atleta afirma que realmente é azul, vermelho e branco. "Eu comecei aqui, gosto daqui, fui criado aqui dentro. Gosto do Corinthians, tenho carinho porque vivi lá quase cinco anos. Santos também, dois anos que foram legais. É um clube que eu gosto, torço também. Mas o Paraná é o time que a gente gosta, o time da infância", afirma um verdadeiro paranista.

Quando visitou o futsal do Paraná neste mês, Ricardinho levou os três filhos para conhecerem a sede da Kennedy. Apesar de não viverem no Brasil, o jogador garante que todos eles são tricolores também. "Sem dúvida. Lógico, na minha casa não tem imposição. Mas, curiosamente, eles escolheram ser  paranistas", relata.

A seleção

Ricardo Luis Pozzi Rodrigues atuou 22 vezes pela seleção brasileira. Estreou com a camisa canarinho no dia 01 de março de 2000. Em 2002, foi convocado na última hora para a Copa do Mundo, após uma contusão do volante Emerson gerada porque o volante foi brincar de ser goleiro. Disputou a Copa das Confederações em 2003 e novamente a Copa do Mundo, em 2006.

O jogador conta que foi uma surpresa ser o último convocado para o mundial da Coréia e do Japão, mas que isto é normal na profissão. "Fomos pentacampeões, conseguimos ganhar este título. Futebol é assim. Você nunca pode pensar que está bem nem que está mal. As coisas mudam. Você tem que estar sempre preparado", ensina o atleta.

Questionado de qual foi o jogo decisivo naquela campanha, Ricardinho curiosamente não aponta favoritos como Alemanha ou Inglaterra. "O jogo que realmente a gente viu que a gente ia chegar foi contra a Bélgica (nas oitavas-de-final). Foi um jogo muito difícil, 1 a 0. E dali depois para a Inglaterra (quartas) e a Turquia (semifinal) foi dentro do nosso objetivo e a gente acabou conseguindo conquistar o pentacampeonato", relembra.

Uma conquista e uma tristeza. Em 2006, na Copa da Alemanha, Ricardinho também esteve presente e viu o Brasil cair nas quartas-de-final diante da França. O jogador não concorda com teorias conspiratórias, como problemas na preparação, que tentam apontar razões para o fracasso brasileiro. "A França foi melhor naquele jogo, conseguiu fazer o gol, jogou melhor e venceu. Isto aí é desculpa. Toda vez que não se vence no futebol brasileiro se inventa desculpas ou situações. A França foi melhor, mereceu ganhar e ganhou".
 

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Problemas com corintianos e com o Marcelinho

Depois de voltar do francês Bordeaux, em 1998, Ricardinho foi para o Corinthians, onde também tornou-se ídolo. Em 2002 o jogador decidiu ir para o São Paulo e a torcida alvinegra logicamente não gostou muito da transferência. O atleta faz questão de não dar importância ao episódio. "Isto é normal, faz parte da profissão. Teve esta transferência e depois eu voltei para o Corinthians (em 2006). Sem problemas", garante o atleta.

Porém, enquanto ainda jogava no Corinthians, Ricardinho teve um célebre desentendimento com o meia Marcelinho. O último acusava o ídolo paranista de ser um espião da diretoria do clube entre os jogadores. Questionado até hoje sobre este caso, o jogador também demonstra não se importar com o assunto. "Ele segue a vida dele e eu sigo a minha. Eu tenho a minha vida, meus amigos. Isto é coisa normal, da profissão", afirma.

Peguntado se não teria sido "canalhice" do Marcelinho ter tomado este tipo de atitude, Ricardinho evita atacar o desafeto. "Eu acho que ele foi profissional, aliás um bom profissional, que quando esteve lá no Corinthians com a gente, conquistamos muitos títulos juntos. Mas ele segue a vida dele e eu sigo a minha", finaliza o meia.

Voltar para o Tricolor? Talvez.

Na visita em que o jogador fez ao futsal paranista e nas diversas entrevistas dadas pelo atleta, uma pergunta era freqüente: você um dia vai voltar a jogar com a camisa tricolor? Diante da atual situação do Paraná, jogando a Segundona, uma confirmação como esta poderia pelo menos dar uma alegria futura para a torcida.

Mesmo assim, Ricardinho evita fazer promessas. "Eu tenho dois anos de contrato fora. Eu ainda não sei. Eu sou paranista. Eu gosto do Paraná. Agora se vou voltar a jogar aqui... pode ser. Lógico que pode ser. A gente não sabe. O planejamento é de realmente continuar acompanhando o Paraná e continuar jogando fora. Vamos deixar mais para frente. Vamos ver", deixa em aberto o jogador.

Com 32 anos, o atleta ainda não tem idéia de quando pretende parar de jogar. Tudo depende das performances nos gramados. "Na hora que eu achar que estou atrapalhando e não ajudando, eu paro. Por enquanto eu acho que estou ajudando. Tenho saúde para ajudar os clubes em que eu estou trabalhando", garante o meia.

Série B e a presidência

Morando em outro continente, Ricardinho atualmente só acompanha o Tricolor a distância, sem muito aprofundamento. Por isto o jogador evita opinar muito sobre os problemas e possíveis soluções para o Paraná na Série B. "Ta difícil. Ta difícil. Ta difícil. Mas a gente sabe e espera que o Paraná saia desta situação", afirma.

Quanto a ser presidente do Paraná Clube no futuro, Ricardinho conta que isto não passa de uma brincadeira de alguns companheiros. "Os amigos começam a inventar histórias e as pessoas começam a inventar devido ao momento de repente da Série B do Paraná. Mas isto daí não existente. Como eu disse, não existe um planejamento para quando eu vou parar de jogar, quanto mais de presidente", disse o atleta.

Recado para a torcida

No final desta exclusiva para o Paranistas.com.br, o ídolo tricolor já estava sendo esperado para falar com os fãs e com outros profissionais da imprensa (com alguns inclusive berrando para conseguirem o objetivo). Mesmo assim, após um pedido deste site para que Ricardinho desse um recado para torcida, o meia lembrou o que é ser paranista, em uma das melhores partes desta entrevista.

"Eu espero que a torcida continue acreditando no clube, nas pessoas que estão defendendo o Paraná neste momento, que continuem apoiando. É um momento difícil, lógico. Todo mundo queria estar em primeiro, para subir à Série A. Agora tem que acreditar. Paranista tem que acreditar. Não adianta só torcer no momento bom. Tem que torcer nos momentos de dificuldade também para justamente voltar a ter um momento bom. Isto vai acontecer. Pode demorar um pouco, não  é esse o momento. Mas isto vai acontecer", garante e finaliza o eterno camisa 10 do Paraná.

Ficha técnica:

Nome: Ricardo Luis Pozzi Rodrigues (Ricardinho).
Nascimento: 23/05/76, em São Paulo (SP).
Posição: meio de campo.
Clubes que atuou como profissional: Paraná Clube (95-97), Bordeaux da França (97-98), Corinthians (98 a 02 e 06), São Paulo (02 a 04), Middlesbrough da Inglaterra (04), Santos (04 a 05), Besiktas da Turquia (06 a 08) e Al Rayyan do Qatar (2008).
Títulos: Paranaense (95, 96 e 97), Brasileiro (98, 99 e 04), Paulista (99, 01), Rio-São Paulo (02), Copa do Brasil (02), Mundial Interclubes (2000), Pentacampeão mundial com a seleção brasileira (2002). Bola de Prata da revista Placar em 2000 e 2004.

Fotos (com exceção da primeira, da capa)

1- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 28 de julho de 1996, contra o Coritiba. Em pleno Couto Pereira, Ricardinho comemora o gol do título, aos 43 minutos do segundo tempo.

2- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 28 de julho de 1996, contra o Coritiba. Em pleno Couto Pereira, Ricardinho comemora o Tetracampeonato.

3- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 28 de julho de 1996, contra o Coritiba. Ao lado do então presidente Ernani Buchman, Ricardinho levanta a taça do Tetra.

4- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 08 de junho de 1997. Foto da equipe pentacampeã ao vencer o União Bandeirantes por 3 a 0.

5- Partida contra o time do fim da rua, no dia 06 de abril de 1997, pelo estadual. Em um jogo importante na campanha do Penta, o Tricolor venceu por 1 a 0.

6- Semifinal do estadual, no dia 01 de junho de 1997. Paraná venceu o Coritiba na ocasião por 3 a 0.

7- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 08 de junho de 1997. Foto da final, quando o Tricolor venceu o União Bandeirantes por 3 a 0.

8- Último jogo do campeonato Paranaense, dia 08 de junho de 1997. Foto da final, quando o Tricolor o venceu o União Bandeirantes por 3 a 0. Ricardinho comemora o primeiro gol da partida, marcado por ele aos três minutos do primeiro tempo.

9- Último jogo do campeonato Paranaense,  dia 08 de junho de 1997, contra o União Bandeirantes. Ao lado do então presidente Ernani Buchman, Ricardinho levanta a taça do penta.

10- Com contrato assinado para atuar no Qatar, o ídolo paranista visitou o futebol de salão do Tricolor, onde começou a carreira, e deu conselhos para as crianças. 18/07/08.

11- Com contrato assinado para atuar no Qatar, o ídolo paranista visitou o futebol de salão do Tricolor, onde começou a carreira, e deu conselhos para as crianças. 18/07/08.

Imagens atuais: Luiz Henrique Ferraz, da assessoria de futsal do Paraná. Nossos agradecimentos, pois sem a ajuda deste profissional esta entrevista não teria sido possível.
Imagens antigas: arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao simpático Srº João Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e Memória do Paraná Clube.

por   ROBSON MARTINS   
31/07/08

 



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