
O comandante do
tricampeonato estadual, em 1995, comemora o título.
Otacílio Gonçalves, um
técnico paranista
O ex-técnico Otacílio Gonçalves é um personagem histórico
do Paraná Clube. Foi com o comando de "Chapinha",
como é carinhosamente chamado no mundo do futebol, que o
Tricolor obteve o primeiro título de sua história (o
Paranaense de 91) e o Brasileiro da Série B, em 92, considerado
até hoje como a principal conquista do clube. Confira a
entrevista especial do mês com um dos maiores treinadores que a
nação paranista já teve.
Otacílio foi também o técnico tricolor na conquista do tricampeonato
estadual, em 95. Mais tarde, o então treinador passou outras
duas vezes pela Vila Capanema (98 e 2002), mas sem o mesmo
brilho. Segundo ele, a falta de dinheiro e a má gestão foram
os principais responsáveis por isso.
Indicado por muitos como o melhor comandante da história do
Paraná, Otacílio Gonçalves é o entrevistado do mês de março
do Paranistas.com.br. O ex-treinador conta que se
considera lisonjeado por este rótulo e garante que o Tricolor
tem um papel único na sua vida. "Eu sinto um carinho pelo
Paraná mais do que especial. É o time que eu adotei, é o time
do meu coração", confessa.
Atualmente, o ex-técnico está com 68 anos e é comentarista da rádio
Guaíba, de Porto Alegre. "Chapinha" conversou com
exclusividade com este site e contou sobre a sua trajetória
pessoal, as passagens pelo Tricolor, como vê o Paraná hoje e
para o futuro. Por fim, ele declarou apoio ao atual comandante
tricolor, Wagner Velloso, com quem trabalhou no Palmeiras.
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"Eu
sinto um carinho pelo Paraná
mais do que especial. É o time que
eu adotei, é o time do meu coração".
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Início
O interesse de Otacílio Gonçalves da Silva Júnior pelo
futebol surgiu quando ainda era criança. Como atleta, ele chegou
a jogar no Renner, extinto clube do interior do Rio Grande do
Sul, até os juniores. "Quando chegou o momento de virar
profissional, eles (diretores) queriam me emprestar para um time
do interior. Minha família foi contra e ainda por cima eu
estava fazendo faculdade", justifica.
Essa universidade a que se referiu era a de Educação Física e foi
justamente ela quem abriu as portas para Otacílio. Depois de
formado, ele entrou como auxiliar do preparador físico Gilberto
Tim nas categorias de base do Internacional.
Aos poucos, o atual comentarista foi ganhando espaço no clube gaúcho.
Após passar para a comissão técnica do elenco profissional,
ele tornou-se preparador físico titular e mais tarde virou
auxiliar-técnico. "Chapinha" foi assistente de alguns
consagrados comandantes do futebol brasileiro, como Rubens
Minelli e Ênio Andrade - em quem se inspirou na carreira de
treinador.
A primeira chance de Otacílio Gonçalves como técnico não demorou
a surgir. Ele assumia em situações emergenciais e, em uma
delas, em 1984, não saiu mais. "Algumas equipes
importantes, Inter, Botafogo, São Paulo... não se
classificaram no Brasileiro. Ficaram sem calendário. Por isto
inventaram um campeonato para elas disputarem e me colocaram no
cargo enquanto procuravam um técnico. Levaram azar que o time
passou a ganhar todas. A partir disso me efetivaram e ficamos 38
jogos invictos", recorda com orgulho.

Terceiro da esquerda para
direita, Otacílio com a faixa do primeiro título da história
paranista.
No início da carreira, o comandante colorado recebeu o apelido de
"Chapinha", alcunha que carrega até hoje. "Eu
chamava os jogadores de 'meu chapa' e acabou pegando. Era a gíria
da época. É a mesma coisa que chamar hoje alguém de 'cara',
'parceiro'...", explica o ex-treinador.
Depois do Internacional, o técnico passou pelo time do fim da rua,
Coritiba, Grêmio, Pinheiros (foi o comandante do último título
de um dos clubes que deram origem ao Tricolor) e Portuguesa.
No início da década de 90, Otacílio atingiu um de seus maiores
feitos ao ser auxiliar-técnico de Paulo Roberto Falcão na seleção
brasileira. Juntos, eles deram as primeiras oportunidades para
importantes atletas do futebol nacional, entre eles o lateral
Cafu e o volante Mauro Silva.
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"Algumas equipes
importantes, Inter,
Botafogo, São Paulo... não se
classificaram no Brasileiro. Ficaram
sem calendário. Por isto inventaram um
campeonato para
elas disputarem e me
colocaram no cargo enquanto
procuravam
um técnico. Levaram azar que o time
passou a ganhar todas. A partir disso
me efetivaram e ficamos 38 jogos invictos"
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Paraná
Em 1991, Otacílio Gonçalves desembarcou na Vila Capanema. Segundo
o ex-treinador, o acordo saiu por acaso. "Eu havia treinado
a Portuguesa em 90, o contrato havia acabado e eles não se
manifestaram sobre renovação. Vim para Curitiba visitar alguns
amigos e por coincidência acabei encontrando pessoas ligadas ao
Paraná. Fizeram uma proposta e eu aceitei".
Mesmo tendo um pouco mais de um ano de vida, o Tricolor encantou o
seu novo técnico. "A primeira impressão foi muito boa.
Existia uma excelente infra-estrutura, era organizado, pagava em
dia e cumpria o que prometia. A gente ganhava o jogo no domingo
e no máximo na segunda-feira pagavam os bichos. Era formidável.
Foi o melhor clube em que eu trabalhei nesta época".
Apesar de ter rasgado elogios ao Paraná, Otacílio Gonçalves
evitou fazer maiores comparações do Tricolor com o time do fim
da rua e o rival alviverde. "Trabalhei nos três. A
grandeza é a mesma", garante o ex-técnico.

Elenco completo campeão
paranaense de 1991. Treinador no centro da foto, sentado.
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"A primeira impressão foi muito boa.
Existia uma excelente infra-estrutura, era
organizado,
pagava em dia e cumpria o que
prometia. A gente ganhava o
jogo no domingo
e no máximo na segunda-feira pagavam os
bichos. Era formidável. Foi o melhor clube
em que eu
trabalhei nesta época".
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Primeiro
título
A primeira passagem de "Chapinha" no comando técnico
paranista foi marcante. Foi com a liderança de Otacílio que o
Tricolor conseguiu o primeiro título de sua história, o
Paranaense de 91. "Foi muito especial. Foi essa conquista
que abriu o caminho para o Paraná, que implantou uma hegemonia
no estado na época", relata.
De acordo com o treinador tricolor da época, o objetivo do clube
desde o início da competição era buscar o título.
"Quando eu cheguei vi que o elenco era de qualidade mesmo e
tive certeza que iríamos ser campeões", assume.
O campeonato foi de pontos corridos e o Paraná sagrou-se campeão
somente na última rodada, quando empatou com o Coritiba por 1 a
1, no Couto Pereira. O autor do gol do título foi o
lateral-esquerdo e prata da casa Ednelson.
A equipe que atuou na partida decisiva foi: Celso Cajuru; Balú,
Castro, Gralak e Ednelson; João Antônio, Marquinhos
Ferreira e Adoílson; Carlinhos (Ney Santos), Saulo e Serginho
(Servilho). Técnico:
Otacílio Gonçalves.
(Depois que esta entrevista foi divulgada, o leitor James
fez uma ressalva sobre esta escalação, já devidamente
corrigida. O Paranistas.com.br pede desculpas pelo erro e
agradece ao leitor pela contribuição. De brinde, ele enviou
também a ficha técnica desta partida. Segue abaixo:
Coritiba 1x1 Paraná Clube
Local: Estádio Couto Pereira
Horário: 17:00 horas
Juiz: Afonso Vitor
de Oliveira, auxiliado por Nelson de Souza e Waldemar Henrique
dos Santos
Renda: Cr$ 55.615.000,00
Público: 19.834 pagantes
Gols:
Pachequinho aos 29 minutos do 1° tempo e Ednélson aos 20
minutos do 2° tempo.
Cartões amarelos: Heraldo, Nardela e Afrânio, pelo Coritiba.
Carlinhos e Castro, pelo Paraná.
Cartão vermelho: Cattani, pelo Coritiba, e
Marquinhos Ferreira, pelo Paraná, aos 46 minutos do 2° tempo.
Coritiba: Luís Henrique, Cattani, Jorjão, Heraldo e Paulo César; Hélcio,
Géverton e Nardela (Tuta); Pedro Paulo (Toninho Cajurú), Afrânio
e Pachequinho. Técnico: Dirceu Kruger.
Paraná Clube: Celso
Cajurú; Balu, Castro, Servílho e Ednélson; João Antônio,
Adoílson e Marquinhos Ferreira; Carlinhos (Ney Santos),
Serginho (Servilho) e Saulo. Técnico: Otacílio Gonçalves.)

Ao lado de João Antônio,
o "mestre João". Hoje os dois moram e trabalham em
Porto Alegre.
A campanha tricolor no Paranaense foi de 17 vitórias, cinco empates
e quatro derrotas. O ataque marcou 52 vezes e a defesa levou 21.
O goleador foi Saulo, com 18 gols.
Série B de 92
Para o ano seguinte, a direção paranista manteve a comissão técnica
e boa parte do elenco que conquistou o Estadual. Além disso, a
diretoria trouxe alguns reforços, como o goleiro Luis Henrique,
que assumiu a camisa número 1 do Tricolor e passou mais segurança
para o time.
Outro reforço de peso que Otacílio Gonçalves ganhou foi o
atacante Maurílio. Revelado nas categorias de base do clube, o
atleta já fazia parte do grupo vencedor de 91, mas foi pouco
utilizado. Na Série B, este ídolo paranista foi titular e fez
a diferença.
"A equipe ficou mais forte ainda. A base foi mantida e ganhamos
reforços importantes, como o Luis Henrique e o próprio Maurílio.
O conjunto era o ponto forte desse time. Quando o conjunto é
bom, os valores individuais se sobressaem. E nós tínhamos vários",
afirma o técnico da época.
Para o ex-treinador, aquele time não tinha um ponto fraco sequer.
Tudo o que ele pedia a equipe correspondia. Assim, a caminhada
do Paraná para a conquista da Segunda Divisão daquele ano foi
tranquila. "Foi tudo conforme o planejamento, nada
inesperado aconteceu. Tanto é que mudaram o regulamento duas,
três vezes no meio do campeonato e mesmo assim fomos melhores".
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"Foi
tudo conforme o planejamento, nada
inesperado aconteceu.
Tanto é que mudaram
o regulamento duas, três vezes no
meio do
campeonato e mesmo assim fomos melhores".
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Em 30 jogos, o Tricolor sofreu apenas duas derrotas na competição
(para o Londrina, por 2 a 1, e para o Criciúma, por 2 a 0),
ambas fora de casa. No demais, foram 13 vitórias e 15 empates.
"A partida mais emocionante foi contra o Vitória, na
decisão, lá em Salvador. Vencemos por 1 a 0, gol de
Saulo", comemora "Chapinha".
Este título é lembrado por muitos paranistas como o principal
feito do clube e Otacílio considera também como um dos mais
importantes títulos de sua carreira. "Fui campeão
nacional com uma equipe que tinha menos de três anos de vida.
Foi um dos meus grandes momentos, me colocou na mídia nacional
como um treinador de ponta. Representa muita coisa para mim, foi
muito emocionante".

No centro com faixa de campeão
da Série B de 1992. Darci Piana, então presidente, a direita.
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"Fui
campeão nacional com uma
equipe que tinha menos de três anos
de vida. Foi um dos meus grandes momentos,
me colocou na
mídia nacional como
um treinador de ponta. Representa muita
coisa para mim,
foi muito emocionante".
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Pela boa campanha, aquela equipe é credenciada por membros da
imprensa e boa parte da torcida como a melhor que o Paraná já
teve. Os mais otimistas afirmam que, com mais algumas peças, o
Tricolor teria time para brigar pelo título da Série A. "É
complicado garantir esse tipo de coisa. Ainda mais porque as
equipes do Rio de Janeiro e São Paulo eram muito fortes nessa
época. A distância era muito maior do que é hoje. Mas é inegável
que o nosso time era muito forte", pondera o comentarista
esportivo.
O time-base dessa conquista era: Luis Henrique; Balú, Gralak,
Servilho e Ednelson; João Antônio, Adoílson e Marquinhos
Ferreira; Maurílio, Saulo e Serginho. Técnico: Otacílio Gonçalves.
Além da qualidade da equipe e do bom planejamento, outro fator
determinante para o título foi a torcida paranista. "Todo
o jogo era com o estádio lotado, era excelente. Eles (os
torcedores) fizeram a diferença muitas vezes", garante
Otacílio.

Elenco que levou o Tricolor para
a Série A com três anos de vida. Otacílio no destaque.
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"Todo o jogo era com o estádio lotado,
era excelente. Eles (os torcedores)
fizeram a
diferença muitas vezes".
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Palmeiras
Logo após a Série B, Otacílio Gonçalves foi contratado pelo
Palmeiras, que havia acabado de firmar a parceria com a
Parmalat. "O título da Segunda Divisão foi o grande peso
para esse acerto", confessa.
Um dos principais empecilhos que o treinador encontrou em São Paulo
foi a desconfiança da imprensa paulista. Apesar de ter no currículo
dois títulos gaúchos, três paranaenses e um brasileiro da Série
B, Otacílio Gonçalves não tinha conquistas no eixo Rio-São
Paulo.
Segundo o ex-treinador, a imprensa de lá não dava o mínimo valor
ao Tricolor. "Mesmo porque eles nem sabiam da curta história
do Paraná e nem sabiam também que tinha uma sede social, com vários
associados e com uma infra-estrutura diferenciada",
justifica.
Foi no Palmeiras que o então técnico ficou sabendo que o Paraná
perdeu o título paranaense de 92, sob o comando de Mário
Juliato. "Fiquei muito chateado, não conseguia acreditar.
Mesmo porque a base foi mantida. Como um clube ganha a Série B
e no mesmo ano perde o Estadual? Mas não dá para tirar os méritos
do União Bandeirantes", comenta, referindo-se ao time que
eliminou o Tricolor na semifinal e que depois perdeu a taça na
final contra o Londrina.
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"Fiquei muito
chateado, não conseguia
acreditar. Mesmo porque a base
foi mantida.
Como um clube ganha a Série B e no mesmo
ano
perde o Estadual? Mas não dá para tirar
os méritos do
União Bandeirantes".
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Tricampeonato
Em 1995, o Tricolor conquistou o tricampeonato estadual e o
treinador era Otacílio Gonçalves, que retornava ao clube após
aproximadamente três anos. Conforme está relatado no livro
"O Vôo Certo", de Carneiro Neto, o nome do técnico
foi sugerido por Aramis Tissot e foi unanimidade na diretoria
presidida por Ocimar Bolicenho.
O Paraná comandou a classificação daquele campeonato desde o início.
Tanto é que nas dez primeiros jogos, o time da Vila Capanema
possuía nove vitórias e um empate. A decisão foi novamente
contra o Coritiba. A partida de ida, no Couto Pereira, foi 0 a
0. A de volta, no Pinheirão, que recebeu aproximadamente 30 mil
pessoas, foi 1 a 0 para o Tricolor, gol do lateral Denílson.
Nesta campanha vitoriosa, o técnico promoveu também o meia
Ricardinho, de 19 anos, ao elenco profissional do Paraná, que
mais tarde se tornaria um dos maiores ídolos da torcida
paranista.
Após o Campeonato Paranaense, Otacílio Gonçalves saiu do clube
para ir ao futebol japonês. Para a disputa da Série A, foi
contratado Vanderlei Luxemburgo para substituí-lo.
Retorno
"Chapinha" retornou à Vila Capanema em outras duas
oportunidades (98 e 2002). Ao contrário das primeiras
passagens, o treinador não conquistou títulos. Pelo contrário,
ele assumiu equipes fracas que apenas lutaram para não serem
rebaixadas.
"Foi nessa época que começou os problemas financeiros. Não
pagavam mais ninguém. Nem jogadores, comissão técnica,
funcionários...", dispara Otacílio.
Para o entrevistado, de fato esse foi o principal problema que o
Paraná passou a encontrar. "Mas ele chegou a essa crise
por causa de más gestões. Quando foi bem administrado o clube
funcionou perfeitamente. Agora vive constantemente com problemas
e isso acaba interferindo lá embaixo, dentro do campo".
Questionado se acreditava que essa crise duraria tanto tempo, Otacílio
Gonçalves foi taxativo. "É tudo resultado da maneira que
o clube é dirigido, comandado. É necessário mudar",
alerta.
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"... ele (o
Paraná) chegou a essa
crise por causa de más gestões.
Quando foi bem administrado o clube
funcionou perfeitamente. Agora vive
constantemente com problemas e isso acaba
interferindo lá embaixo, dentro do campo".
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Aposentadoria
Após a última passagem pelo Tricolor, Otacílio Gonçalves acabou
optando pela aposentadoria. "Já estava com 62 anos, não
tinha mais interesse. Além do que eu havia trabalhado no Japão,
o que me deu uma boa renda e garantiu minha aposentadoria",
justifica o ex-técnico. Há quase sete anos longe do banco de reservas, o ex-treinador
garante que não sente saudades alguma do dia a dia na beira do
gramado.
Agora o entrevistado é comentarista da rádio Guaíba, onde está há
aproximadamente três anos, quando recebeu o convite. Indagado
como analisa hoje o trabalho do técnico Otacílio Gonçalves,
"Chapinha" transpareceu ser o mais sincero e
bem-humorado possível. "Posso fazer as substituições que
não perco mais o jogo. Não corro riscos de perder o domínio
do elenco e nem de ser chamado de burro pelo estádio
todo", brinca.

Coordenador
de Futebol
No começo do ano passado, chegou a se especular que o Paraná
estava em busca de um coordenador de futebol. Muitos nomes
estavam cotados, entre eles o de Otacílio Gonçalves. "Eu
nem estava sabendo disso. Ninguém me procurou, não",
garante.
O ex-técnico disse que dificilmente aceitaria ocupar algum cargo
administrativo no Tricolor ou em qualquer outro clube.
"Sinceramente eu não sei, só com a proposta em mãos para
saber. Mas estou com 68 anos, não saíria tão fácil de
casa".
Velloso
O atual técnico paranista, Wagner Velloso, foi jogador de Otacílio
nos tempos de Palmeiras. Para o comentarista, o Paraná fez uma
boa aposta e ele acredita que o treinador tem um futuro
promisssor.
"O Velloso sempre foi um homem de personalidade, com boa formação.
Tem experiência dentro de campo, jogou em grandes equipes do futebol
brasileiro e foi convocado algumas vezes para a seleção. Além
do que, ele sempre trabalhou com treinadores de alto nível.
Acredito muito nele", aposta Otacílio.
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"O Velloso sempre foi um homem de
personalidade, com boa formação.
Tem experiência dentro de campo,
jogou em grandes equipes do
futebol
brasileiro e foi convocado algumas
vezes para a
seleção. Além do que,
ele sempre trabalhou com treinadores
de alto nível. Acredito muito nele".
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Melhor
técnico da história
Otacílio diz se considerar um
homem de sorte, já que tem o privilégio de estar na história
do clube para que torce. Para ele, ser considerado como o melhor
técnico da história do Paraná é uma honra. "Me orgulho
muito disso. Tanto é que tenho até hoje o recorte do jornal
que escolheu a seleção de todos os tempos do time e eu fui
escolhido como o treinador", revela.
Melhor jogador
Indagado sobre qual foi o
melhor atleta que dirigiu no Tricolor, "Chapinha"
ficou em dúvidas e elogiou diversos jogadores. "Tem que
escolher só um? Tem vários! Saulo, Serginho, Balu, Maurílio,
Ricardinho... todos eram diferenciados, e tem muitos outros também".
Recado
para a torcida
Assim como em toda a entrevista do mês, o Paranistas.com.br pediu
para Otacílio Gonçalves mandar um recado à exigente torcida
tricolor.
"O mais importante de tudo isso é não desistir. Abandonar o
barco é a pior coisa que pode acontecer para o Paraná. É
preciso se organizar, se unir e apoiar o clube até o fim. Assim
ele pode voltar aos tempos de glória", garante o eterno
comandante paranista.
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"O
mais importante de tudo isso é não
desistir. Abandonar o
barco é a pior coisa que
pode acontecer para o Paraná.
É preciso se
organizar, se unir e apoiar o clube até o
fim.
Assim ele pode voltar aos tempos de glória".
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Ficha técnica:
Nome:Otacílio Gonçalves da Silva Júnior.
Nascimento: 16/06/1940, Santa Maria - RS.
Função: Técnico.
Clubes que comandou: Internacional, Atlético-PR,
Coritiba, Grêmio, Pinheiros, auxiliar técnico da seleção
brasileira, Portuguesa, Paraná, Palmeiras, Atlético-MG,
Yokohama Flugels-JAP, Gama e Santa Cruz.
Títulos: Campeonato Gaúcho: 1984 (Inter) e 1988 (Grêmio).
Campeonato Paranaense: 1985 (Atlético), 1987 (Pinheiros), 1991
e 1995 (Paraná). Campeonato Brasileiro da Série B: 1992 (Paraná).
Observação: Esta entrevista foi feita no dia 31 de março.
A direção do Paranistas.com.br pede desculpas pelo
atraso, já que é a especial do mês de março.
Imagens:
arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao simpático Sr. João
Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e
Memória do Paraná Clube.
por DANIEL
PIVA
03/04/09