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Entrevista
do mês
Entrevista
com o
candidato a presidente
José Machado
No
dia 11 de novembro o Paraná terá uma disputa eleitoral para
decidir o presidente do clube no biênio 2010/2011. No páreo,
dois candidatos: José Machado, líder do grupo "Coração
Tricolor", e
Aquilino
Romani, atual segundo vice-presidente do clube e representante
da chapa "Revolução Paranista".
Para
ajudar os sócios que tem direito a voto, o Paranistas.com.br
entrevistou os dois presidenciáveis. Foram feitas perguntas
desde a história do candidato com o Paraná até suas
propostas para o setor social e o futebolístico, como
encara parcerias, como trabalhar em um clube que está com dívidas,
entre outras.
Vale destacar que as entrevistas foram feitas em uma parceria
dos sites Paranistas.com.br e Paranautas.com, que foi
representado por David Formiga. Os dois portais buscaram
esclarecer todas as dúvidas dos torcedores, que tiveram o
direito de mandar perguntas.
Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo.
PARANÁ
A
primeira questão apresentada aos candidatos foi do que o
Paraná representa na vida pessoal dele e o por quê do
desejo de assumir a presidência do clube em um momento tão
delicado quanto o atual. José Alves Machado, líder da
chapa "Coração Tricolor", revelou que acompanha
o clube desde os tempos de Água Verde e que morava perto do
estádio da Vila Guaíra, o que facilitava para ele
acompanhar todos os passos dados pela instituição.
"Acho
que todo paranista ou quem torcia para um dos times
“originários” tem o seu ideal. Você na tua vida pode
deixar de ser várias coisas... pode deixar de ser marido,
pode seccionar algumas coisas na tua vida, mas você nunca
vai deixar do seu time, sempre vai ser torcedor. E quando
acompanhamos nosso time, cada vez numa situação mais difícil,
sempre tem uma esperança de que você possa fazer algo pelo
clube do coração", declara o candidato.
SOCIAL
Desde
que anunciou a candidatura ao pleito do dia 11 de novembro,
as especulações eram de que José Machado priorizaria o
aspecto social do clube e até passaria a responsabilidade
do futebol para Aramis Tissot, um dos organizadores da chapa
adversária.
"O
Paraná Clube é um clube muito grande. Tem patrimônio, várias
sedes, tem perto de duzentos e cinquenta funcionários e uma
grande divida. A intenção é separar o futebol do social,
para que cada um seja administrado por profissionais da área.
Que tenhamos profissionais qualificados no futebol. Onde
buscá-los? Ainda temos que verificar. Numa análise
profunda, precisamos ver com os companheiros de chapa e seus
contatos, formas de recolocar o futebol no lugar onde sempre
deveria estar", indicou José Machado, que defende essa
ideia da divisão dos setores pelo menos na prática, para
evitar a "sucumbência de ambos", como definiu.
Depois
de apontar como pretende tocar o clube, se eleito, Machado
disse que infelizmente não terá condições de fazer um
projeto especial para cada sub-sede do Tricolor. O motivo: a
falta de verba. "Administrar com dinheiro é muito mais
fácil. Quero ver hoje. Os nossos ex-presidentes não se
preocupavam com o Paraná de forma geral, apenas com o seu
mandato. Assim acabavam investindo tudo para obter títulos,
sem se preocupar com o futuro e consequências",
cobrou. "E o torcedor não quer saber o que se passa
nos bastidores. O torcedor quer títulos, quer vitórias,
gols...temos que levar ao torcedor paranista a realidade. Não
podemos ficar eternamente fazendo de conta que somos
presidente. Tivemos grandes presidentes no Paraná, mas
tivemos alguns complicados, que não se adequaram à evolução
dos clubes de futebol", complementou.
Para
o candidato, o problema do social do Tricolor e de todos os
outros clubes foi a criação dos shopping-centers. Segundo
Machado, as famílias começaram a preferir o passeio nestes
meios do que em lugares recreativos, o que,
consequentemente, culminou com a perda de sócios.
Na
visão de José Machado, algo precisa ser feito para chamar
novamente a atenção dos associados e acarretar com a vinda
de novos. Os seus planos, conforme revelou no decorrer da
entrevista, é de que a parte social do Paraná passe a
contar com 20 mil associados. Para isso, apresentou um possível
investimento.
"Fui
questionado sobre fazer uma churrascaria na Kennedy.
Curioso, né? Temos uma das sedes mais lindas do Brasil, em
um dos bairros nobres de Curitiba. Nas proximidades, há
apenas uma churrascaria de grande porte. Com uma arquitetura
moderna, voltada à Avenida Kennedy e a vista panorâmica
para as piscinas. A clientela seria grande. Podemos fazer o
projeto com profissionais da área. Isso poderia ser um
chamariz para novos associados", relatou. "Mas
como fazer isso sem dinheiro? Com empresários da área
dispostos a investir, ficando o Paraná com custo
zero", finaliza, praticamente rechaçando a ideia do
Tricolor ser o próprio investidor por falta de dinheiro,
mas salientando que os cuidados com a possível terceirização
serão redobrados.
Para
pôr fim na questão social, Antônio Rodrigues, componente
da chapa "Coração Paranista", declarou que a
intenção é de melhorar as sub-sedes do Tarumã e da Vila
Olímpica. A última, inclusive, seria adequada para
tornar-se o Centro de Treinamento (CT) para o profissional.
"Temos uma estrutura grande e mal-explorada. Temos que
trazer sócios, ver suas ideias, suas opiniões, para somar,
participar, exercer seu direito", apontou. "Temos
uma bela sede no Tarumã que comportaria vários sócios,
perto de três mil apenas nessa sede. Existe hoje a previsão
dos sócios de sub-sede, que pagam valores menores para
utilização exclusiva", complementa, dizendo que os sócios
que possuem esse plano tem direito a voto, mas eles não são
obrigatoriamente computados nas eleições.
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"
...o
torcedor não quer saber o que se
passa nos bastidores. O torcedor quer
títulos, quer vitórias, gols...temos que
levar ao torcedor a realidade. Não
podemos ficar eternamente fazendo de
conta que somos presidente. Tivemos
grandes presidentes no Paraná, mas tivemos gestões
complicadas, que não se adequaram à evolução dos
clubes de futebol"
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"Fui
questionado sobre a possiblidade
de fazer uma churrascaria na Kennedy.
Temos uma das sedes mais lindas do país, em um dos
melhores bairros de Curitiba.
Nas proximidades, há apenas uma
churrascaria de grande porte.
Teria uma vista que os
frequentadores poderiam ver
toda a sede. Podemos fazer o projeto
com profissionais da área. Isso poderia
ser um chamariz para novos associados"
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CATEGORIAS
DE BASE
Outro
ponto abordado na entrevista com o candidato José Alves
Machado foi a parceria do Paraná com a empresa BASE, que
investe nos pratas da casa do Tricolor e construiu o Centro
de Formação de Atletas (CFA) do Ninho da Gralha, na sede
de Quatro Barras. Em troca, o parceiro tem o percentual de
50% de cada atleta revelado para o clube, o que insatisfaz
alguns torcedores.
Para
Machado, esse tipo de parcerias é a evolução dos tempos e
considera normal acordos como esse. Cita alguns jogadores
revelados no clube (Ricardinho, Tcheco, Giuliano...) e diz
que eles só chegaram ao Paraná devido a empresários.
"Quem investe quer lucro. Se não tivermos a terceirização,
acabamos com o futebol. Temos que verificar a ingerência
dos terceirizados, vez que tem quem coloque jogador, mas que
se aproxime de treinador. Por isso precisamos de
profissionais, de quem tenha visão para futebol. Precisamos
colocar o futebol em mãos de profissionais. Eu não tenho
esse conhecimento, por isso precisamos de profissionais. A
corrupção nos bastidores existe no mundo inteiro",
fala o candidato. "Os contratos vigentes serão
respeitados. Não se pode deixar investidores em suspense.
Quem investiu e tem seu contrato, será respeitado",
reitera.
Segundo
relatou o entrevistado, esse profissional que cuidará do
futebol terá também a responsabilidade de blindar o
treinador quanto às pressões de empresários (o que vem
sendo muito especulado dentro do Paraná nos últimos anos).
"Falou-se muito que alguns jogadores criados no clube não
tiveram as oportunidades. Esse contratado do clube, que será
remunerado, cuidará disso", declara Machado, que
admite que ainda não conversou com Marlo Litwisnki e Renê
Bernardi (proprietários da BASE) para um possível apoio à
chapa e também que desconhece formalidades no contrato
entre o clube e a empresa.
FUTEBOL
PROFISSIONAL
Conforme
disse anteriormente, o líder do "Coração
Paranista" tem a ambição de separar o futebol e o
social. Não necessariamente nos papéis e documentos, mas
sim na prática, com cada um tendo o responsável pelo
determinado setor. Assim, José Alves Machado acredita que,
tanto as sedes e sub-sedes quanto no time profissional, os
resultados serão mais animadores.
"Não
há como o presidente se preocupar com o social e com o
futebol ao mesmo tempo. O que for arrecadado com o futebol
tem que nele ficar e o mesmo vale para o social. Temos que
buscar empresas, terceirizar o futebol a empresários. A única
coisa inalienável é o nome Paraná Clube", justifica
o candidato. "
A outra chapa parece que vai disponibilizar
dinheiro. Tem alguns bons nomes ali. Acreditamos que se
vencermos, essas pessoas virão conosco. Não disputamos de
forma política-partidária. Tenho grandes amigos na outra
chapa e, se eles quiserem, terão lugar conosco. Até mesmo
o Aurival é uma pessoa interessantísima pelo lado do
clube", emenda.
Além
da forma como pretende constituir a diretoria, José Machado
comentou quais as ambições que tem com o futebol. Para o
candidato, o atual presidente Aurival Correia foi infeliz na
forma como se expressou quando disse que o acesso não é
obrigação, mas o líder do "Coração
Paranista", concorda com a afirmação.
"Ele
foi infeliz na forma como disse, mas teve coragem de falar a
realidade. Só em débitos de ex-presidentes, ele (Aurival)
pagou oito milhões de reais e fez reparos no clube. Se não
fosse por essas quantias, o futebol poderia estar em melhor
situação. Mas ele tem oficiais de Justiça batendo à sua
porta. Nisso ele foi muito competente, mas no futebol, não
teve habilidade. Ele foi realista e acabou não utilizando
um termo simpático à torcida", opina Machado.
"Na
nossa gestão vamos buscar colocar o futebol em mãos de
profissionais competentes. Nenhum presidente precisa ter
competência, o que ele precisa é ter ao seu lado gente
competente. Houve, portanto, alguns pecados. Na nossa gestão,
pretendemos salvar o clube, começando a prepará-lo para
daqui a uns quatro anos venha forte e deixando de enganar o
torcedor", completa o candidato.
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"
Não
há como o presidente se preocupar
com o social e com o futebol ao mesmo
tempo. O que for arrecadado com o futebol
tem que nele ficar e o mesmo vale para o
social. Temos que buscar empresas,
terceirizar o futebol a empresários. A única
coisa inalienável é o nome Paraná Clube"
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"
Na
nossa gestão vamos buscar
colocar o futebol em mãos de profissionais
competentes. Nenhum presidente precisa
ter competência, o que ele precisa é ter
ao seu lado gente competente. Houve,
portanto, alguns pecados. Na nossa
gestão, pretendemos salvar o clube,
começando a prepará-lo para daqui a
uns quatro anos venha forte e
deixando de enganar o torcedor
"
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DÍVIDAS
Como
não poderia deixar de ser, o tema das dívidas (que vem
assustando muita gente) esteve em pauta. Primeiramente, José
Alves Machado demonstrou-se surpreso quando David Formiga o
apresentou um número de R$ 7.800.000,00 que surgiu no ano
passado. "Isso entre receita e despesa?",
questionou o candidato. Depois, creditou essa dívida a
falta de suporte e aos erros cometidos na parte futebolística,
citando o exemplo de janeiro deste ano, quando a diretoria
deu carta branca ao técnico Paulo Comelli, que não
correspondeu a altura.
Indagado
de como trabalhar com esta dívida, Machado apresenta como
solução um novo fortalecimento do lado social do clube.
"Teremos que tirar água de pedra. Teremos que
incrementar o número de bingos. Precisamos pagar dívidas,
algumas trabalhistas, e montar o time. Não há como não
cumprir com as dívidas e apenas montar os times. Na política
partidária existe a responsabilidade fiscal, mas isso não
parece ter ocorrido em administrações anteriores. Vamos
ter que trazer uns vinte mil associados", aponta.
Em
relação à formação do elenco, foi perguntado à Machado
se a utilização de meninos das categorias de base era uma
saída. O candidato disse que considera a safra atual fraca
e surpreendeu-se quando soube que tanto nos juniores quanto
no juvenil o Tricolor passou de fase.
Outra
possível solução para ajudar no pagamento das dívidas é
o Departamento de Marketing, área que vem crescendo cada
vez mais no futebol e que grandes clubes brasileiros já
adotaram. "O marketing hoje é tudo no futebol. Mas
veja o nosso exemplo: o vice de marketing não é
remunerado. Falta de profissionalismo. A pessoa tem outras
atividades profissionais, não poderá se dedicar
exclusivamente ao clube. Por exemplo, queremos que a Vila
Olimpica sobreviva com as próprias pernas. Que ela invente
e crie. E que de lá, ainda, saia um dinheiro para pagar dívidas.
Um marketing bom sai caro. É um dos setores estratégicos
do clube que precisa ser remunerado", disse, afirmando
que outro cargo que tem que ser remunerado é o de
vice-presidente de futebol.
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"Teremos
que tirar água de pedra.
Teremos que incrementar o número de
bingos. Precisamos pagar dívidas, algumas
trabalhistas, e montar o time. Não há
como não cumprir com as dívidas
e apenas montar os times"
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"...
Por exemplo, queremos que
a Vila Olimpica sobreviva com as
próprias pernas. Que ela invente e crie.
E que de lá, ainda, saia um dinheiro para
pagar dívidas. Um marketing bom sai
caro. É um dos setores estratégicos do
clube que precisa ser remunerado"
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VILA
CAPANEMA
Um dos principais desejos da torcida é um estádio novo.
Para José Machado, investir na Vila Capanema é um risco,
devido ao imbróglio judicial que envolve Paraná e a Rede,
que se arrasta há mais de 30 anos. "Eu não invisto um
centavo naquilo que não é meu. Deixa ali em stand by.
Em um dia por ventura, que nos dê como proprietários da área,
aí sim. Enquanto isso, vejo a Vila Olímpica como boa opção.
Mas ela está interditada, que não tem segurança e nem
refletores. Mas ninguém quer colocar dinheiro no Paraná
Clube. A saída é pegar pessoas de dentro do próprio clube
que possuam verba".
De acordo com o candidato, o Marketing poderia contribuir
muito nisso. Outro projeto para colaborar neste projeto
seria uma criação de um Departamento Comercial, que nunca
existiu no clube.
Nem
mesmo a vinda da Copa do Mundo novamente para Curitiba (em
1950 a capital paranaense também foi sede e o estádio que
recebeu os jogos foi a própria Vila Capanema) anima José
Machado a procurar forças políticas para resolverem a pendência
judicial. "Acho que ninguém até hoje mexeu a fundo
com isso por medo de perder. Se for deixando, fica nessa,
mas o estádio segue com o clube. Imagine se vai mexer e
perde?!", argumenta.
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"
Não
invisto um centavo naquilo que
não é meu. Deixa ali em stand by.
Em um dia por ventura, que nos dê como
proprietários da área, aí sim. Enquanto isso,
vejo a Vila Olímpica como boa opção.
Mas ela está interditada, que não tem
segurança e nem refletores. Mas ninguém
quer colocar dinheiro no Paraná Clube.
A saída é pegar pessoas de dentro
do próprio clube que possuam verba"
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ESTATUTO
Uma
reforma no estatuto é outra exigência dos paranistas, que
acima de tudo pedem direito a voto nas eleições
presidencias também aos sócios-torcedores "O estatuto
não pode ser estático. Tem que ser adequado a realidade do
momento. Quanto ao voto aos sócios-torcedores, é uma coisa
que precisa ser analisa friamente. Tem que ser estudado para
não correr riscos. Mas quem sabe, eles poderão ter o
direito a voto ao 'presidente do futebol'", direciona.
RECADO
PARA A TORCIDA
Como
de praxe, foi pedido para o entrevistado mandar um recado
aos torcedores do Tricolor, que falou em especial às crianças
paranistas.
"Temos
de ter visões diferentes. Alguns dirigentes, como os
cardeiais, são excelentes. Espero uni-los em prol de um
levantamento para o Paraná Clube. Mas vamos pisar no freio,
administrar o clube para colher os frutos mais tarde. Se não
continuarão chorando, e irão chorar ainda mais. A intenção
é fazer um time para subir ano que vem, mas sem
loucuras", disse Machado. "Espero que as crianças
continuem com fé no clube, lutando pelo seu idealismo. Vida
de torcedor é de altos e baixos. Todo mundo vai ganhar e
vai perder. Resta a esperança de dias melhores"
por
DANIEL
PIVA
03/11/09
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