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ENTREVISTA

 



"Mestre João" sendo carregado pela torcida após o título estadual de 1993.

João Antônio, campeão
por 13 anos seguidos


Ídolo paranista da década de 90 e tendo conseguido pelo menos um título por ano na sua carreira entre 1985 e 1997, o volante João Antônio é o entrevistado do mês do Paranistas.com.br. Em entrevista exclusiva, o “Mestre João”, como era conhecido pelos tricolores, conta como começou a carreira, a definição para vir ao Paraná, a polêmica dispensa do clube onde foi tetracampeão Paranaense, campeão Brasileiro da Série B e a seqüência na carreira.

O começo

Nascido no dia 14 de junho de 1966 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, João Antônio de Oliveira Martins não teve uma infância fácil. Ainda criança, o ex-volante perdeu o pai aos oito anos de idade e a mãe aos nove. Porém, antes disso, nasceu a paixão pelo futebol. “Meu pai era gremista e sempre me dizia que eu ia jogar no Grêmio. Era um sonho dele e meu também”, relembra o ex-jogador.

Depois de ficar órfão, João Antônio foi para um colégio interno, onde ficou entre 1976 e 1982. “Eu já era fanático por futebol e fazia parte da seleção do colégio. Como eu era o destaque dos internos, os irmãos da escola compraram o uniforme e pagaram para eu entrar na escolinha do Grêmio. Depois disso, fui escolhido para entrar nas categorias de base e não tive que pagar mais”, relata o ídolo paranista.

Só que, já nas categorias de base, o então adolescente enfrentou problemas para continuar o sonho de ser jogador de futebol. “Eu fui dispensado três vezes do Grêmio. Cheguei a ir para o Internacional, onde fiquei cinco meses e também fui dispensado. Só na quinta tentativa me aceitaram definitivamente no Grêmio, em 1983, ano do título mundial do clube. Mas cada dispensa me dava mais forças para continuar tentando”, garante.

“Só na quinta tentativa me aceitaram definitivamente no Grêmio, em 1983. Mas cada dispensa me dava mais forças para continuar tentando”


Ao lado de Carlinhos Neves e Otacílio Gonçalves, com a faixa do Estadual de 1991.

Tornando-se profissional


Em 1983 João Antônio estava no time juvenil do Grêmio Portoalegrense e no ano seguinte foi alavancado para a equipe de juniores. “O treinador do juvenil queria me deixar para escanteio, mas o técnico do júnior queria me levar. Assim passei para a última categoria antes do profissional”.

Mas esta última passagem, como quase tudo na vida do ex-atleta, não ocorreu tranqüilamente. “Eu era o quinto volante do júnior, ficava chateado que nem viajava. Mas eu trabalhava e trabalhava porque queria seguir carreira nesse ramo”, ensina.

Até que, em 1984, o Grêmio montou um “expressinho” para fazer uma partida em Itapejara, interior gaúcho. Era a chance que o jovem de 18 aos precisava. “Eu fui o melhor deste jogo, a imprensa gaúcha deu muito destaque e no mesmo ano fui puxado para a equipe profissional”, conta João Antônio, complementando que ainda em 84 foi convocado para defender a seleção gaúcha em um torneio no final do ano, conseguindo ser campeão em cima da seleção carioca, que tinha craques como Romário e Djalminha.

Na seqüência, começou realmente a carreira de sucesso do ex-volante. “Em 1985 fui campeão Sul-Americano pela seleção brasileira sub-20 e da Copa do Mundo, na Rússia, da mesma categoria. Eu era o camisa 5, titular absoluto”.

“Em 1985 fui campeão Sul-Americano pela seleção brasileira sub-20 e da Copa do Mundo, na Rússia, da mesma categoria. Eu era o camisa 5, titular absoluto”

Começo de carreira fulminante

Já na equipe profissional, João Antônio conseguiu o haxacampeonato gaúcho, entre 1985 e 1990. “Naquela época os times jogavam no 4-3-3 e eu era um volante ambidestro e versátil. Isto fazia a diferença, já que eu era um volante que tinha facilidade para sair jogando, o que era raro”, relembra.


Partida pelo Paranaense de 1991: Paraná 4 a 0 no Operário, em 31 de outubro.

A vinda para o Paraná


Entre todos estes títulos pelo Grêmio, o ex-jogador teve uma passagem pelo Maringá, em 1989. Lá ele conheceu o preparador físico Carlinhos Neves, que depois teria influência na ida dele para o Tricolor. Mas o principal responsável pela mudança de João Antônio para Curitiba foi o técnico Otacílio Gonçalves, com quem trabalhou em 1987 e 1988 na equipe gremista.

”O Otacílio, que já era reconhecido nacionalmente e tinha outras propostas de clubes grandes, resolveu ir para o Paraná e me chamou. O Grêmio não queria me vender e colocou um valor alto para a transferência, mas, mesmo assim, o Paraná bancou”, conta o ex-jogador.

João Antônio lembra que ficou empolgado com a mudança devido à motivação do clube paranista. “Era um clube novo, com dois anos de vida, que tinha a proposta de conseguir títulos estaduais e subir para a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Era como se já fosse um clube grande, porque juntava a torcida do Colorado com o dinheiro do Pinheiros. Além disso, estava formando um grupo forte, como o lateral-direito Balu, que tinha uma história no Cruzeiro”, justifica.  


Paraná 2 a 1 no Vitória, no dia 05 de julho de 1992, pelo Brasileiro da Série B.

O ex-atleta conta que, após a negociação concretizada, a chegada no Tricolor foi inesquecível. “Eu tive uma recepção na sede da Kennedy, com 2 mil pessoas presentes. Eu lembro até hoje do meu discurso, onde prometi trabalhar, empenho e títulos, levando o time para Série A. Graças a Deus consegui cumprir minha promessa, tendo uma história linda no Paraná”, diz o “Mestre João”, garantindo ainda que acabou criando um laço afetivo com Curitiba, onde os seus dois filhos nasceram , em 1992 e 1994.

“Eu tive uma recepção na sede da Kennedy, com 2 mil pessoas presentes. Eu lembro até hoje do meu discurso, onde prometi trabalhar, empenho e títulos, levando o time para Série A. Graças a Deus consegui cumprir minha promessa, tendo uma história linda no Paraná”

O jogo e o gol inesquecível no Paraná

Quando questionado sobre a partida e o gol mais importante como jogador paranista, João Antônio não hesita em lembrar de um confronto que até hoje é reverenciado pela torcida paranista. “Foi um jogo contra o Atlético Paranaense, em 1993, no Couto Pereira, pelo Paranaense, quando vencemos por 1 a 0 com um gol meu, de voleio. Me marcou muito pois não é corriqueiro, é quase impossível de fazer. Ele foi eleito o gol do ano e eu o craque do ano. Até hoje os amigos curitibanos me ligam para falar dele e dizer que ele passou na televisão novamente”, comemora.

Confira o vídeo do famoso gol de João Antônio:





http://www.youtube.com/watch?v=aiqNNju232k


Além de comemorar este feito, João Antônio lembra que o objetivo de transformar o Paraná em um time grande foi conseguido. “Atlético e Paraná e Coritiba e Paraná viraram clássicos. Antes era só o Atletiba. O objetivo do clube era esse: conseguir títulos regionais, competindo com a dupla da capital, e ficar entre os 20 melhores a nível nacional”.

 
O principal título no Paraná

João Antônio foi campeão Paranaense pelo Tricolor em 1991, 93, 94 e 95. Mas, como não podia ser diferente, o principal título vestindo a camisa vermelho, azul e branca foi a Série B em 1992. “Foi o mais importante, sem dúvida. Conseguimos o título em Salvador, vencendo o Vitória por 1 a 0, diante de um estádio lotado. Foi inesquecível”, garante o ex-volante.

Além de ajudar a alavancar o Paraná para a elite do futebol nacional, o ex-atleta lembra que o título de 1992 foi importante na conquista de torcedores. “Com o título da Série B, o Paraná ganhou diferentes tipos de torcedor. Por ser um clube novo e em ascensão, ganhamos vários simpatizantes”.  


João Antônio na chegada a Curitiba com a faixa de campeão da Série b de 1992 no peito.

A polêmica dispensa

Em 1994, após ajudar o Paraná a conseguir o bicampeonato estadual, João Antônio sofreu com uma lesão, o que o fez fazer uma cirurgia no joelho que o deixou de 4 a 5 meses fora dos gramados. Mesmo assim, o ex-atleta voltou no ano seguinte e contribuiu para a conquista do tri estadual. Mas a seqüência não foi boa para o ídolo paranista.

”Eu cheguei um dia para treinar e tinha uma lista de dispensas pendurada no vestiário. Para a minha surpresa, apesar de tudo o que eu representei na época, o meu nome estava lá. Fiquei muito chateado por saber dessa forma, nem ao menos me chamaram para conversar”, lamenta.

”Eu cheguei um dia para treinar e tinha uma lista de dispensas pendurada no vestiário. Para a minha surpresa, apesar de tudo o que eu representei na época, o meu nome estava lá. Fiquei muito chateado por saber dessa forma, nem ao menos me chamaram para conversar”

Segundo João Antônio, a desculpa dada pelo ex-presidente Ocimar Bolicenho e pelo ex-vice presidente de futebol Ricardo Machado Lima era que o ciclo daquele grupo tinha acabado no Paraná, com o Saulo inclusive já tendo ido para o Palmeiras. “Acredito que, após a cirurgia, os dirigentes não acreditavam que eu iria voltar a ser o mesmo atleta. Quando foi dispensado tinha que treinar às duas horas da tarde, enquanto o grupo treinava às quatro horas. Eu me sentia mal, era uma falta de consideração comigo”, argumenta.

João Antônio conta que chegou a conversar com o técnico Wanderley Luxemburgo, que recém tinha chegado ao clube, mas que nada adiantou. “Eu queria ficar e perguntei para o Luxemburgo se ele não tinha como reverter isso. A resposta que ele me deu é que esta decisão de me dispensar já estava pronta, determinada antes mesmo dele chegar ao Paraná”, relembra o ex-jogador.


João Antônio recebe de Requião a chuteira de ouro por ser o craque do Estadual de 93

Apesar de tudo isto, o ídolo paranista garante que não guarda mágoas. ”Na época eu fiquei muito chateado com a dispensa. Só que Deus me deu força para mostrar que eu podia superar isto, como no começo da carreira, quando fui dispensado do Grêmio. Mas hoje isto já faz parte do passado, me dou muito bem tanto com o Ocimar quanto com o Ricardinho, é outro mundo, está tudo bem”, afirma.

O ex-atleta conta que a sua mulher, que cuidava da sua carreira, foi na época até o Tricolor, conseguiu falar com o Ocimar Bolicenho e comprar o seu passe. E assim, melancolicamente, terminou a história de João Antônio como jogador do Paraná Clube.

“Eu queria ficar e perguntei para o Luxemburgo se ele não tinha como reverter isso. A resposta que ele me deu é que esta decisão de me dispensar já estava pronta, determinada antes mesmo dele chegar ao Paraná”

A ida para o rival

Sem emprego e com contas para pagar, João Antônio acabou ainda em 1995 indo jogar no Atlético Paranaense.  “O (ex-presidente atleticano Mário Celso) Petralia ligou para a minha mulher e os dois acertaram a minha vida. Fiz um contrato de cinco meses e fui campeão novamente da Série B, mas desta vez pelo Atlético”, conta.

Questionado sobre o sentimento de ir jogar no time rival, João Antônio lembra que na época não teve muita escolha. “Quando você é dispensado, precisa de algo concreto para continuar a vida. Além disso, para mim era melhor ficar em Curitiba, onde eu já tinha um ciclo de amizades, além de outros fatores, como a escola das crianças”, justifica.

A volta do Grêmio

Após ser campeão pelo Atlético e com o fim do seu contrato, João Antônio voltou para Porto Alegre para defender o Grêmio. “O Felipão me ligou e pediu para eu ir, que o Grêmio iria disputar várias competições. Então eu voltei”.

Ganhador de títulos, em 1996 a história do ex-jogador não foi diferente. “Fomos campeões da Recopa Sul-Americana ao vencer o Independente da Argentina por 4 a1, em um jogo realizado no Japão. No mesmo ano ainda fomos campeões brasileiros na final contra a Portuguesa”, comemora.  


João Antônio recebe homenagem ao time por 20 partidas invicto no Paranaense de 1993.

Mas o jogo mais importante da carreira de João Antônio ocorreu em 1997, quando o Grêmio foi campeão da Copa do Brasil, enfrentando o Flamengo e um Maracanã lotado. “Além de sermos campeões, ainda fiz o primeiro dos dois gols gremistas naquela final. O gol mais importante da minha carreira” afirma o ex-atleta, que ainda complementa. “Joguei no maior palco do mundo, na frente de 110 mil pessoas. Hoje isto é impossível, nem mesmo no campo do Barcelona cabe tanta gente. Foi sensacional”.

Este título da Copa do Brasil, por coincidência, acabou sendo o último da carreira do ex-jogador. Entre 1985 e 1997 ele conseguiu levantar pelo menos uma taça por ano.

“Joguei no maior palco do mundo, na frente de 110 mil pessoas. Hoje isto é impossível, nem mesmo no campo do Barcelona cabe tanta gente. Foi sensacional”

Passagem rápida pelo Bahia

Ainda em 1997 João Antônio foi morar em Salvador. “O Bahia fez uma proposta ao Grêmio muito grande. Ficou insustentável a minha permanência em Porto Alegre”, relembra. Falando em grandes propostas, João Antônio garante que teve algumas sondagens da Europa durante a carreia, inclusive quando jogava no Paraná, mas que nenhuma foi concretizada. “Eu sou que nem São Tomé. Preciso ver para crer”.

A ida para o rival 2


Depois de jogar no Bahia e uma passagem rápida pelo Mogi Mirim, o “Mestre João” foi defender o Internacional. Com uma grande história no Grêmio, o ex-atleta conta que enfrentava cobranças nas ruas de Porto Alegre, mas que tinha um discurso preparado para se defender.

”Eu andava sempre com um bloco de contas no bolso. Quando me criticavam por jogar no Inter, eu entregava este bloco para a pessoa e dizia: beleza, eu saio de lá amanhã, mas você paga isto”, relembra. “Eu sempre argumentava que era igual ao torcedor, que precisava trabalhar, mas a diferença era que eu jogava futebol. No final todos acabavam entendendo”, complementa.

João Antônio lembra que, antes de ir para o time colorado, tentou voltar ao Grêmio. Mas não houve interesse da diretoria gremista na época.


Segundo turno do Estadual de 1993: Paraná 3 a 1 no Matsubara, dia 18 de abril.

”Eu andava sempre com um bloco de contas no bolso. Quando me criticavam por jogar no Inter, eu entregava este bloco para a pessoa e dizia: beleza, eu saio de lá amanhã, mas você paga isto”

O fim da carreira

Após o Internacional e passagens por Figueirense e Joinville, João Antônio foi jogar no ano 2000 no América de Rio Preto. No time paulista, na metade do ano, o atleta teve que fazer uma cirurgia no tendão de Aquiles, o que abreviou a sua carreira. “Eu tinha um objetivo de vida de jogar até os 40 anos. Infelizmente não foi possível”, lamenta.

Depois da cirurgia e sem clube, João Antônio ainda atentou voltar, mantendo a forma no time do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul. Lá ele tinha um treinador, um preparador físico, coletivos e jogos para, quando aparecesse uma oportunidade, estar apto a retornar aos campos. “Eu fiquei muito tempo fora e não conseguia mais bons contratos, apesar de estar preparado e do meu baita currículo”, argumenta.

João Antônio lembra que até chegou a receber propostas de times menores, com salários menores, mas que não se concretizavam pela falta de garantias. “O Botofago da Paraíba me ofereceu R$ 1.500, sendo que só a escola das minhas crianças era R$1.700. Eu aceitei mesmo assim, desde que me adiantassem um dinheiro maior antes. Hoje está mais profissional, mas na época atrasava-se muito o salário e este dinheiro era uma garantia para mim. Nisto as negociações não se concretizavam”, conta.

A vida hoje  

Após três anos fora dos gramados, João Antônio retornou à faculdade, onde hoje está no quarto semestre de Educação Física. O ex-atleta até chegou a trabalhar como empresário, devido ao grande número de contatos, mas chegou a conclusão de que este tipo de trabalho não fazia parte do seu perfil. Até que, em 2005, surgiu a proposta de retornar ao Grêmio, onde trabalha até hoje nas categorias de base como “treinador de fundamentos” (foto).

“Trabalho com meninos desde o sub-12 até o sub-20. Quando eles têm alguma dificuldade, seja de cabeceio ou chute, por exemplo, são encaminhados para mim e trabalhamos especificamente este problema. Sem contar que estes meninos vão até o museu do clube e ficam enlouquecidos ao verem tudo o que eu já fiz, é muito gratificante. Estou feliz da vida, faceiro e contente”, garante.

Além de ensinar os meninos, o ídolo paranista ainda tem o privilégio de ensinar o seu filho, João Antônio, que com 14 anos está na categoria infantil do Grêmio. O ex-jogador ainda tem mais uma filha, Amata, de 16 anos, e continua casado com Amelina Silveira Martins, mãe dos seus herdeiros.

O Paraná Clube hoje e um possível novo encontro

Após lutar para levar o Tricolor para a Série A em 1992, hoje João Antônio lamenta a atual situação paranista. “Por toda a minha história, até hoje é um clube que eu torço muito, que eu tenho muito respeito. Eu gostaria que não tivesse caído, mas torço para que volte logo para a Série A e se torne novamente o que era antes: gerenciado como se fosse uma empresa, que dava toda a estrutura para o time ser campeão”.

”Mestre João” conta que já chegou a conversar com o atual presidente paranista, Aurival Correia, e disse para ele que torce muito pelo Paraná. O ex-volante ainda comentou que, quem sabe futuramente, ele pode voltar à Vila Capanema para ser treinador do Paraná. “Existe esta possibilidade, quando eu engrenar a carreira de técnico, mas por enquanto estou feliz no Grêmio”.

João Antônio argumenta que, antes de mais nada, ele tem o projeto de completar a faculdade e aumentar o conhecimento da parte teórica do futebol, já que a prática já é bem dominada. Depois a idéia é ter experiências como treinador nas categorias de base. “Quem sabe, quando eu iniciar a minha carreira como treinador profissional, não seja no Paraná?”.
 

Estadual de 1993: Paraná 4 a 1 no Londrina, dia 04 de abril. Detalhe para a tarja de capitão.

“Quem sabe, quando eu iniciar a minha carreira como treinador profissional, não seja no Paraná?”

Time do coração

Apesar de todo o desejo da torcida paranista, João Antônio não esconde qual é o seu time preferido. “Por tudo o que aconteceu na minha vida com o meu pai, que me levava no colo para o estádio e dizia para todo mundo que eu era gremista, não tem como negar que meu time do coração é o Grêmio”, confessa.

Mesmo assim, João Antônio ressalta que tem um carinho muito grande pelo Paraná. “Pela minha historia no clube, por onde decidi criar meus filhos, o Paraná é muito importante para mim. Até hoje tenho moradia em Curitiba, que está alugada, mas ainda existe caso um dos meus filhos resolva retornar. Posso dizer que o Paraná é o segundo time no meu coração”.

Recado para a nação paranista

No final desta entrevista, feita por telefone, João Antônio foi questionado se tinha algum recado para mandar para a torcida tricolor. O ídolo não titubeou. “O mestre da Vila Capanema manda um abraço e torce por essa nação azul, vermelha e branca, cuja a camisa caiu tão bem para mim. Espero que este clube retorne para a Primeira Divisão e que possa ter um título por ano, como nos bons tempos”, finalizou o “Mestre João”.

“O mestre da Vila Capanema manda um abraço e torce por essa nação azul, vermelha e branca, cuja a camisa caiu tão bem para mim. Espero que este clube retorne para a Primeira Divisão e que possa ter um título por ano, como nos bons tempos”,


Com a ajuda de Onaireves Moura, João Antônio levanta a taça do Paranaense de 1993.

Ficha técnica:

Nome: João Antônio de Oliveira Martins. (Mestre João).
Nascimento: 14/06/66.
Naturalidade: Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Altura: 1,72m.

Clubes em que atuou:

Grêmio: 84 a 91, 96 e 97.
Maringá: 1989.
Paraná Clube: 91 a 95.
Atlético-PR: 1995.
Bahia: 1997.
Mogi-Mirim: 1998
Internacional: 1998.
Figueirense: 1999.
Joinville: 1999.
América-SP: 2000.

Títulos:

Mundial Sub-20 pela Seleção Brasileira: 1985.
Sul-americano sub-20 pela Seleção Brasileira: 1985
Campeonato Gaúcho pelo Grêmio: 85, 86, 87, 88, 89, 90 e 1996.
Campeonato Paranaense pelo Paraná Clube: 91, 93, 94 e 1995.
Campeonato Brasileiro Série B: 1992 (Paraná Clube) e 1995 (Atlético-PR).
Campeonato Brasileiro Série A pelo Grêmio: 1996.
Recopa Sul-Americana pelo Grêmio: 1996.
Copa do Brasil pelo Grêmio: 1997.

Observação: A entrevista com o João Antônio é a especial de fevereiro, mas por dificuldades de contato, já que ele mora em Porto Alegre, a conversa com o ídolo paranista só conseguiu ser feita no começo de março. O Paranistas.com.Br pede desculpas pelo atraso.

Imagens: arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao simpático Sr. João Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e Memória do Paraná Clube. Já a foto atual, no Grêmio, pertence ao site oficial do clube.

por   ROBSON MARTINS   
04/03/09

 



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