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Entrevista
do mês

"É o melhor goleiro
do Brasil: Flávio!"
Essa
música ecoou nas arquibancadas da Vila Capanema e do Pinheirão
de 2003 a 2007. Foi o tempo que Flávio Emidio dos Santos
Vieira vestiu a número 1 do Tricolor. Goleiro campeão
brasileiro pelo time do fim da rua, ele assumiu que na verdade
prefere o Paraná. Quando
defendeu a vermelha, azul e branca, Flávio, que nasceu em 17
de dezembro de 1970, foi campeão estadual de 2006 (sendo
eleito o craque do campeonato) e peça fundamental na campanha
que levou o time paranista à Copa Libertadores da América - o
principal feito nesses quase 20 anos de história do clube.
Mas
não foi só de alegrias a passagem de Flávio pela Vila
Capanema. Em 2007, o goleiro participou dos fracassos na final
do Estadual, quando o Paraná perdeu o título em casa para o
ACP, e pouco pôde contribuir para que o Tricolor escapasse do
rebaixamento à Segunda Divisão do futebol nacional.
Em
entrevista exclusiva ao Paranistas.com.br, o
goleiro contou sobre sua trajetória profissional e
principalmente no Tricolor. Relatou momentos de alegria e de
tristeza e não escondeu momento algum o carinho especial que
sente pelo clube da Vila Capanema e seus adeptos.
O
entrevistado do mês foi decidido através de uma votação na
comunidade oficial do Paraná Clube no Orkut. O vencedor da
enquete foi o ex-vice-presidente de marketing do Tricolor,
Marcelo Romano, que, por motivos profissionais (está com uma
agenda lotada), não pôde conceder a entrevista, mas se
comprometeu de falar para a torcida em breve. Assim, o Paranistas.com.br
foi atrás do segundo colocado na enquete, que foi o goleiro
Flávio, que defendeu as cores vermelha, azul e branca de 2003
a 2007 e ficou na frente na pesquisa de nomes como Minelli,
Ageu e Beto.

POSIÇÃO
Ser
goleiro não era um sonho de Flávio. Em Maceió, sua terra
natal e onde viveu até se mudar para Curitiba, o atleta
gostava de jogar como centroavante. "Era isso o que eu
pretendia, só que faltou coragem para ir em algum clube fazer
teste", revela.
Em
uma das peladas que disputava, Flávio acabou indo jogar no
gol. Saiu-se bem, agradou aos amigos e a si próprio.
Com o tempo, foi se aperfeiçoando na nova posição, até
despertar a atenção de um técnico do CSA, que resolveu levá-lo
ao time alagoano para fazer teste, quando tinha 14 anos.
Logo
em sua primeira tentativa de virar um jogador federado, Flávio
foi aprovado e passou a integrar as categorias de base do CSA.
Com 20 anos, foi promovido para o profissional e não demorou
para ganhar a primeira chance no time principal. "O
goleiro titular acabou se machucando, aí colocaram eu para
jogar. Fui muito bem e não saí mais do time", conta com
orgulho.
No
clube alagoano, o goleiro conquistou dois campeonatos
estaduais, nos anos de 91 e 94, respectivamente.

CURITIBA
Em
junho de 95, Flávio deixou Maceió e o CSA e veio tentar a
sorte em Curitiba, para defender o time do fim da rua.
"Foi na época em que o Petraglia assumiu, após aquele
famoso Atletiba. Eles foram no Nordeste garimpar jogador, se
interessaram por mim e fecharam o negócio. Outros jogadores
da região também vieram, entre eles o Oséas",
relembra.
No
rival rubro-negro, Flávio conquistou oito títulos, entre
eles o da Série A de 2001, o mais importante de sua carreira.
"Ser campeão brasileiro é um sonho de todo jogador.
Tem muito jogador que atua na seleção brasileira que não
possui esse troféu. Foi mais saboroso ainda porque fui
campeão em um time pequeno, pequeno em relação a história,
não adianta querer comparar com
Corinthians e Flamengo e companhia. Nisso é pequeno. Mas em
estrutura é grande e tinha um baita time!"
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"Ser campeão brasileiro é um sonho de
todo jogador.
Tem muito jogador que atua
na seleção brasileira que não
possui esse
troféu. Foi mais saboroso ainda porque fui
campeão em um time pequeno, pequeno
em relação a história,
não adianta querer
comparar com
Corinthians e Flamengo e
companhia. Nisso é pequeno. Mas em
estrutura é grande e tinha um baita time!"
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O
ciclo do jogador no time do fim da rua chegou ao fim em
dezembro de 2002. O contrato de Flávio se encerrou e não
houve renovação. O goleiro negou que tenha existido qualquer
divergência com o então dirigente atleticano Mario Celso
Petraglia.
Sem
vínculo com o clube rival, Flávio recebeu propostas de
Botafogo e Portuguesa, mas acabou acertando com o Vasco da
Gama, que tinha como treinador Antônio Lopes, com quem ele já
havia trabalhado em Curitiba.

PARANÁ
CLUBE
A
passagem do arqueiro pelo Rio de Janeiro foi curta. Flávio
chegou no Vasco lesionado, ficando de fora das primeiras
partidas da equipe cruzmaltina na temporada. Foi substituído
pelo jovem Fábio (atualmente no Cruzeiro), que se saiu bem e
ganhou a posição.
No
início do Brasileiro de 2003, o Paraná estava em busca de
algum jogador experiente para assumir a camisa número 1.
Observou que Flávio estava no banco de reservas do clube
carioca e fez proposta pelo goleiro, que se interessou desde o
princípio. "O Vavá me ligou e perguntou se eu tinha
vontade, disse que sim, mas que tinha contrato com o
Vasco", recorda. "Na primeira tentativa, o Antônio
Lopes e a diretoria do Vasco rejeitaram. Mas o Vavá insistiu e
conseguiu fechar o negócio", complementa.
Apesar
de ter jogado por mais de sete anos em um rival do Tricolor, o
Pantera garante que momento algum sequer estranhou o interesse
paranista. Tratou tudo com profissionalismo e ficou feliz pelo
interesse, mesmo com a identificação com o time do fim da
rua.
A
torcida tricolor começou a ganhar o carinho de Flávio antes
mesmo dele entrar em campo. No que desembarcou em Curitiba,
para ser apresentado oficialmente como reforço do Paraná, o
goleiro foi recepcionado no aeroporto por alguns torcedores.
"Isso de fato me emocionou, não esperava uma recepção
calorosa daquelas, ainda mais por ter jogado tanto tempo em um
rival".
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"Isso
de fato me emocionou, não esperava
uma recepção
calorosa daquelas, ainda mais
por ter jogado tanto
tempo em um rival."
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ESTREIA
A
primeira partida do Pantera defendendo as cores vermelha, azul
e branca aconteceu na 2ª rodada do Campeonato Brasileiro de
2003 e foi logo contra o seu ex-clube, o time do fim da rua.
Aqueles paranistas que ainda desconfiavam da forma que Flávio
iria se sair com a camisa tricolor logo tiraram as suas dúvidas.
O Paraná venceu por 3 a 0 (gols de Fernandinho, Renaldo e
Marquinhos).
"Esse
jogo foi muito especial para mim. Vencemos e eu fui eleito o
melhor em campo. Me recordo que houve um pênalti a nosso
favor e uma parte da torcida começou a pedir para eu ir
cobrar. Fiquei morrendo de vontade! Era a minha estreia,
contra o meu ex-clube ainda! Mas o Cuca acabou não
deixando", conta, referindo-se a penalidade máxima
desperdiçada por Fernandinho, no segundo tempo da partida.
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"Esse
jogo foi muito especial para mim.
Vencemos e eu fui
eleito o melhor em
campo. Me recordo que houve um
pênalti
a nosso favor e uma parte da
torcida começou a pedir
para eu ir cobrar.
Fiquei morrendo de vontade! Era a
minha
estreia, contra o meu ex-clube ainda!
Mas o Cuca acabou não deixando."
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"PODERÍAMOS
TER IDO MAIS LONGE"
Esse
foi o sentimento do Pantera em seu primeiro campeonato
disputado pelo novo clube. Jogando um futebol bonito e
empolgante, o Tricolor terminou em 10º, conquistando uma vaga
à Copa Sul-Americana. Algumas partidas daquela equipe estão
gravadas até hoje na memória de muitos torcedores, como o 6
a 2 em cima do Flamengo e o 4 a 0 sobre o Internacional.
Para
o goleiro, o Paraná só não foi mais longe em 2003 porque
sofreu com as cinco trocas no comando técnico (Cuca, Adílson
Batista, Saulo, Edu Marangon e Saulo novamente dirigiram o
Tricolor naquele Brasileiro). "Não tinha como não
atrapalhar. Cada um tem o seu estilo, quando a gente passava a
se adaptar com o padrão e jeito dele, era substituído",
relata. "Poderíamos ter ido mais longe, mas mesmo assim
foi a melhor campanha do clube até aquele momento",
pondera.

MUITAS
MUDANÇAS
No
ano seguinte, Flávio teve que conviver não apenas com
constantes trocas no comando técnico, mas também de
jogadores. Par se ter idéia, do time titular de 2003, restou
apenas ele e o técnico Saulo. Substitutos a altura não
vieram e, com uma equipe fraquíssima, o Tricolor sucumbiu no
Estadual e foi disputar o Torneio da Morte, com Neguinho
interinamente de treinador.
Para
o Brasileiro, veio um time novo - com muitos jogadores
oriundos do Iraty, inclusive o técnico Paulo Campos. A equipe
começou alternando altos e baixos, ganhou em casa do Santos
de Diego e Robinho e do Cruzeiro, que havia sido campeão
brasileiro com folga no ano anterior, e foi goleado por Vitória
e Juventude (6 a 1 e 4 a 0, respectivamente) quando atuou como
visitante.
O
treinador foi demitido, dando lugar a Gilson Kleina. O time
perdeu o trilho de vez até que Paulo Campos retornasse ao
clube e, com uma grande contribuição do Pantera, que estava
em ótima fase, segurou o Tricolor na elite. "Essas mudanças
de jogadores e treinadores nos atrapalharam muito. O Paulo Campos
foi e voltou até", comenta Flávio. "Esse ano
passamos o maior sufoco. Escapamos nas últimas rodadas. Graças
a Deus eu estava muito bem, pude ajudar bastante o Paraná
nesse momento delicado", finaliza.
Em
2005, novamente o elenco foi bastante alterado para o Estadual
e, assim como em 04, o resultado foi abaixo do esperado. Saiu
Paulo Campos e entrou Lori Sandri, que até fez o Paraná
melhorar de rendimento, mas não o suficiente para classificar
até a fase final.
Muitos
jogadores foram dispensados e outros, como Borges, Pierre e
Marcos, foram contratados. Flávio continuava em ótima fase e
foi peça-chave para que aquele "time bacana", como
classificou, chegasse ao 7º lugar.
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"Esses
mudanças de jogadores e
treinadores nos atrapalharam muito.
O Paulo Campos foi e voltou até."
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ENFIM,
CAMPEÃO!
Não
foram poucas as vezes em que Flávio foi envolvido em boatos
de que deixaria o Tricolor. O Coritiba era um dos clubes que
sempre estava apontado como um dos prováveis destinos do
Pantera. Só que o arqueiro havia se comprometido de só sair
da Vila Capanema depois de ser campeão. Depois de três anos
no clube, o goleiro enfim pôde realizar o seu sonho em 2006.
Mesmo
perdendo bons valores do elenco de 2005, o Paraná começou a
temporada com um time base montado. Ganhou reforços de
qualidade, entre eles o zagueiro Gustavo e o atacante
Leonardo, e voltou a ser campeão do Estado após nove anos.
"Sempre falei que só sairia do Paraná depois de campeão.
Foi uma das minhas maiores felicidades", declara o
jogador.
Só
que a caminhada paranista não foi tranquila. Até a 10ª
rodada, o Paraná tinha apenas três vitórias. "Estávamos
tendo muitos altos e baixos, até jogar contra o União
Bandeirantes, fora de casa. Não poderíamos perder de jeito
nenhum, conseguimos o empate com um gol do Goiano, já nos acréscimos",
recorda o Pantera. "Depois desse jogo crescemos na
competição, no jogo seguinte metemos 3 a 0 no Coritiba e não
perdemos mais", complementa.
Depois
do sofrido 2 a 2 contra o União Bandeirantes, o Tricolor
disputou dez jogos na competição (incluindo a final contra a
ADAP) e obteve oito vitórias e dois empates.
Para
Flávio, a reação do time e a conquista do título deve-se a
muito aos tricolores que compareciam ao Pinheirão e aos jogos
fora de casa. "A nossa torcida era diferenciada. No
primeiro jogo da final, por exemplo, contra a ADAP, era a
minoria no estádio, mas era muito animada, nos incentivou o
tempo todo e nos passou uma vibração muito positiva",
elogia o goleiro.
Quem
também foi bastante elogiado pelo número 1 do Tricolor na
conquista foi o técnico Luiz Carlos Barbieri, que acabou se
despedindo do clube após a finalíssima. "Ele foi de
fundamental importância na nossa caminhada. Esteve ameaçado
de cair algumas vezes, mas nós fechamos com ele e prometemos
para ele o título", revela. "Ele é um cara
sensacional. É nervosão, mas sempre querendo ajudar",
finaliza.
O
time base paranista nesta conquista foi: Flávio; Gustavo,
Emerson e Neguette; Goiano, Rafael Mussamba, Beto, Maicossuel,
Sandro (Marcelinho) e Edinho; Leonardo. A vitoriosa campanha
foi de 11 vitórias, sete empates e duas derrotas. No total,
35 gols foram marcados e 16 sofridos. O artilheiro foi
Leonardo, que balançou a rede em 11 oportunidades.
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"...
sempre
falei que só sairia
do Paraná depois de campeão.Foi
uma das minhas maiores felicidades."
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"A
nossa torcida era diferenciada.
No primeiro jogo da
final, por
exemplo, contra a ADAP, era a minoria
no
estádio, mas era muito animada,
nos incentivou o
tempo todo e nos
passou uma vibração muito
positiva."
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5º
LUGAR NO BRASILEIRO
Já
sob o comando de Caio Júnior, o Paraná teve a sua melhor
participação em um Campeonato Brasileiro, chegando em 5º
lugar e conquistando vaga à Copa Libertadores da América.
"Formamos um grupo muito bom. Foi sensacional",
resume Flávio.
De
acordo com o goleiro, a pretensão do elenco paranista
naquele campeonato era de se sagrar campeão brasileiro, mas o
sonho não foi possível por forças maiores. "A nossa
meta era de conquistar o título. Para muitos era um absurdo,
mas a gente sabia que era possível. Mas quando fomos decidir
o primeiro turno diante do São Paulo fomos roubados! Éramos
para ter vencido aquele jogo e termos terminado essa fase na
frente deles, que estavam a um ou dois pontos na nossa
frente", protesta o Pantera, referindo-se aos inúmeros
erros do árbitro Clever Assunção Gonçalves no jogo em que a equipe
paulista acabou vencendo por 3 a 2.
Flávio
admite que essa derrota abateu o Tricolor. Tanto é que nas
cinco primeiras rodadas do segundo turno, o Paraná venceu
apenas uma partida (Fluminense) e perdeu as outras quatro
(Juventude, Botafogo, Grêmio e Corinthians). Por causa desses
deslizes, o time paranista viu o São Paulo se distanciar e
começou uma intensa briga contra o Vasco por uma vaga na
Libertadores.
"A
decisão acabou sendo contra o Inter, na Vila Capanema,
debaixo de muita chuva. Vencemos por 1 a 0 e ultrapassamos o
Vasco. Nos jogos seguintes, vencemos o São Caetano, fora de
casa, e empatamos com o São Paulo. Só que eles também
empataram e nós nos classificamos. Para nós valeu como um título",
vibra Flávio.
O
time-base paranista nessa campanha foi: Flávio; Peter,
Gustavo, Edmílson (Neguette) e Eltinho; Pierre, Beto, Batista
e Sandro; Cristiano (Maicossuel) e Leonardo.
No
total, o Paraná venceu 18 jogos, empatou seis e perdeu 14,
totalizando 60 pontos. Marcou 56 gols e sofreu 49. O
artilheiro tricolor foi Cristiano, que fez a alegria dos
paranistas 14 vezes.

DO
CÉU...
O
ano de 2007 começou de forma incrível para o Tricolor e para
Flávio. Na primeira fase da Libertadores, o Paraná encarou o
Cobreloa, em jogo eliminatório. Venceu por 2 a 0 no Deserto
do Atacama e empatou por 1 a 1 na Vila Capanema, se
classificando à fase de grupo. "Jogamos com inteligência.
Tomamos um sufoco, mas felizmente estava em um bom dia e fui
eleito o melhor em campo. Conseguimos vencer e avançar de
fase".
Na
fase de grupos, o Paraná, que estava sendo comandado pelo técnico
Zetti, terminou em 2º lugar, com três vitórias e três
derrotas. "Fizemos dois jogaços contra o Flamengo. Pena
que acabamos perdendo os dois", lamenta.

Classificado
às oitavas de final, o Tricolor encarou o Libertad, do
Paraguai. Perdeu por 2 a 1 na Vila Capanema e empatou por 1 a
1 no Estádio Defensores Del Chaco, dando adeus para a competição
mais importante da América. "Essa eliminação foi uma
das maiores frustrações. Se avançássemos de fase enfrentaríamos
o Boca Juniors. Jogaríamos na Labombonera, que é um sonho de
todo jogador. Veríamos se é esse caldeirão todo que falam e
se ganhássemos poderíamos sonhar com o título", conta,
desapontado.
Apesar
do jogo contra o Boca ter ficado no sonho, a participação do
Paraná na Libertadores é motivo de orgulho para os
tricolores. Mas a maior alegria de 2007 acabou acontecendo no Paranaense. Na semi-final do Estadual, o Tricolor
venceu o time do fim pela primeira vez no seu reduto,
quebrando um tabu de quase 18 anos. O placar da partida foi 3
a 1, de virada.
"A
satisfação desse resultado foi muito grande. Quebrávamos um
tabu e estávamos classificados para a final", afirma Flávio.
"Quando jogava pelo Atlético, nunca havia perdido para o
Paraná na Arena. Quando passei a jogar pelo Paraná joguei, na
primeira vitória do clube na Arena. É gratificante",
conclui.

AO
INFERNO
Com
o resultado positivo diante do time do fim da rua (no jogo de
ida, na Vila Capanema, o placar foi de 0 a 0), o Tricolor
enfrentaria o ACP na final, que havia eliminado o Coritiba. O
bicampeonato parecia certo, mas não veio e deu início a péssima
fase vivida pelos paranistas até hoje.
Na
primeira partida da final, disputada em Paranavaí, vitórias
dos donos da casa por 1 a 0. Alguns críticos dizem que Flávio
falhou no gol de Tales, mas o Pantera se defende. "Não
concordo que falhei, não. A falta era dentro ou próxima da
meia-lua. Além da nossa barreira, eles (jogadores do ACP)
formaram uma do lado. O rapaz cobrou a falta rasteira e
forte e a barreira deles se desmanchou. Eu nem vi a
bola!", contraria.
Uma
vitória simples do Paraná na Vila Capanema levaria o jogo
para a prorrogação. Vitória tricolor por dois gols de
diferença ou mais o sagraria bicampeão.
A
expectativa e a confiança dos tricolores de que a equipe
faria um grande jogo era imensa. Só que quando a bola começou
a rolar veio a decepção. O time de Zetti entrou em campo
como se estivesse disputando um jogo qualquer, sem vontade e
achando que venceria a partida como bem entendesse. O placar não
saiu do zero e o Vermelhinho é quem fez a festa na Vila
Capanema.
"Por
sermos um time grande e por jogarmos em casa, achamos que
venceríamos sem dificuldades. Fomos displicentes e fomos
castigados. Peço desculpa aos nossos torcedores", admite
Flávio. "Foi uma decepção muito grande para nós e
para os nossos torcedores, que lotaram o estádio e esperavam
o título. O abatimento foi geral", finaliza, desmentido
que tenha acontecido qualquer atrito entre diretoria e
jogadores após esse fracasso.

Mal
deu tempo de se lamentar e começou o Brasileiro. O
início paranista na competição foi avassalador, com 100% de
aproveitamento nas três primeiras rodadas e a liderança
isolada. Mas o rendimento foi caindo, alguns jogadores
importantes no elenco foram saindo (Dinelson e Xaves, por
exemplo) e cinco técnicos passaram pelo clube (Zetti,
Pintado, Gilson Kleina, Lori Sandri e Saulo de Freitas).
"Começamos bem, mas tivemos alguns problemas, como de
contusão. Eu mesmo fiquei parado boa parte do
campeonato", destaca Flávio.
Aliando
esses problemas junto com uma crise política no clube (foram
feitas denúncias de corrupção contra o então presidente em
exercício, José Carlos de Miranda), o resultado não poderia
ser diferente: rebaixado à Série B.
"Colocar
a culpa na diretoria é tapar o sol com a peneira. Quem joga
somos nós, jogadores. Para gente o escândalo do Professor
Miranda não interferiu em nada, foi problema de diretoria. O
que faltou para o Paraná escapar do rebaixamento foi futebol
mesmo", dispara o goleiro, que garante que os salários e
a premiação do elenco estavam em dia.
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"Colocar
a culpa na diretoria é tapar o
sol com a peneira. Quem joga somos
nós, jogadores. Para gente o escândalo
do Professor
Miranda não interferiu
em nada, foi problema de diretoria.
O
que faltou para o Paraná escapar do
rebaixamento foi futebol
mesmo".
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Quando
diz que faltou futebol, Flávio se inclui nessa lista. O
rendimento do Pantera nesse campeonato foi muito aquém do
esperado, o que irritou e decepcionou os torcedores. "Só
que eu estava lesionado, estava com uma contratura no músculo
posterior de coxa. Joguei alguns jogos no sacrifício para
tentar ajudar. Tanto é que fui substituído em algumas ocasiões
e fiquei fora de boa parte das partidas", argumenta.
Das
38 rodadas, o Pantera entrou em campo em 24, sendo que foi
substituído em duas oportunidades (contra Botafogo e Náutico,
ambas em casa). Com Flávio no time, o Paraná venceu seis
jogos, empatou seis e perdeu as outras 12.
"Teve
gente que tentou jogar toda a culpa em cima de mim, que era um
dos líderes do time. Mas a parcela de culpa é de todos. A
minha consciência está limpa, eu estava machucado. Só fico
triste por não ter conseguido ajudar o Paraná no momento que
ele mais precisou", reitera o atleta.
Após
o rebaixamento, o contrato de Flávio com o Paraná expirou e
não foi renovado, fato que ele já esperava. "Futebol é
custo-benefício. Meu salário era alto e não tive um bom ano
em 2007. Foi normal o que aconteceu".
Ídolo
da torcida
Apesar
do rebaixamento e da perda do título estadual, o Pantera é
apontado até hoje como um dos grandes ídolos da história
tricolor. Como homenagem, os torcedores paranistas cantavam ao
goleiro antes do jogo a famosa música: "P#%a que o
p@#$u! É o melhor goleiro do Brasil! Flávio!!".
"É
uma honra receber esse carinho do torcedor do Paraná.
Realmente é muito gratificante", afirma.
Paraná
ou time do fim da rua?
Flávio
foi um dos poucos jogadores que conseguiu entrar para a história
dos dois rivais. Foi campeão, participou de campeonatos
importantes pelos dois clubes e é ídolo das duas torcidas.
Quando indagado qual dos dois possui a sua preferência, o
Pantera não fica em cima do muro.
"Ah,
com certeza o Paraná! Apesar de ter jogado mais tempo e ter
conquistado mais títulos do outro lado, prefiro o Paraná.
Aprendi a gostar muito desse clube. Eu torço de verdade pelo
Paraná. É formado por pessoas mais humildes, mais simples.
É algo carismático, que merece dar certo!", garante.
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"Apesar de ter jogado mais tempo e
ter
conquistado mais títulos do outro lado,
prefiro o Paraná.
Aprendi a gostar muito
desse clube. Eu torço de verdade pelo
Paraná. É formado por pessoas mais
humildes, mais simples.
É algo
carismático, que merece dar certo!"
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Régis
ou Flávio?
Uma
das maiores discussão de boa parte da torcida paranista é
sobre qual foi o melhor goleiro da história do Tricolor.
Alguns apontam Luis Henrique, campeão da Série B de 92, e
Marcos, goleiro do time que conquistou o Módulo Amarelo da João
Havelanche, em 2000, como os principais, mas a maioria aponta
Régis e Flávio. Desta vez, quem responderá a pergunta é um
dos candidatos.
"Ah,
é difícil (risos)! Mas acho que ele (Régis) foi melhor.
Jogou por mais tempo e conquistou mais títulos. Foi mais
importante, mas sei que contribui muito pelo Paraná também.
Fico feliz pela lembrança e pela comparação, mas o Régis
leva vantagem”, indica.

Rapidinhas
Melhor
jogo: “São
três que destaco: contra o Atlético, na minha estreia; o
primeiro jogo da final, contra a ADAP, que foi 3 a 0; e contra
o Inter, em 2006, debaixo de muita chuva. Ganhamos e
ultrapassamos o Vasco, entrando no grupo que iria para a
Libertadores”.
Melhor
time: “Gosto
muito do time de 2003, era um baite time! Uma pena não temos
conseguido ir mais longe. E o de 2006 também, que foi o que
nos levou para a Libertadores”.
Melhor
jogador:
“No Paraná gostei muito de atuar ao lado do Reinaldo e do
Marquinhos, que eram mais experientes. Dos mais jovens destaco
o Thiago Neves e o João Vítor, que não tinha muitas
chances, mas era muito bom jogador”.
Melhor
técnico: “Gostei
de trabalhar com quatro, que foram o Barbieri, o Lori Sandri,
o Zetti e o Saulo”.
Momento
especial: “Quando
nos classificamos à Libertadores. Valeu mais do que um título!”
Sobe
esse ano? "Se
reagir já, sim. Tem condições de subir, mas já perdeu
muitos pontos. Estou na torcida".
Futuro:
"Tenho
contrato com o América Mineiro até o fim do ano. Estou muito
bem, não estou sofrendo de lesões e tendo um bom rendimento.
Só fiquei de fora de dois jogos, por motivo de lesão.
Estou feliz e estamos perto de conseguir o acesso à Segunda
Divisão. O povo aqui me adora e querem que eu renove o
contrato. Vamos ver o que vai acontecer. Espero jogar mais ano
que vem e depois me aposentar e voltar a morar em Maceió".

RECADO
PARA A TORCIDA
Assim
como em toda a entrevista do mês, o Paranistas.com.br pediu
para Flávio mandar um recado à exigente torcida tricolor.
“Peço
para que os torcedores do Tricolor não se esqueçam de todas
as coisas boas que fiz pelo clube na minha passagem. Que não
se apeguem a 2007, onde as coisas não foram boas. Torço para o Paraná, de verdade mesmo. Peço que eles
não desistam, que continuem incentivando o time como sempre
fizeram. Sei que eles são capazes de fazer a diferença e de
recolocar o Paraná na Primeira Divisão, que esse é o lugar
dele”.
Imagens
1, 8, 9 e 10:
arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao simpático Sr. João
Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e Memória
do Paraná Clube.
As imagens restantes são do acervo do Paranistas.com.br.
por
DANIEL
PIVA
13/08/09
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