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ENTREVISTA

 

Entrevista do mês

"É o melhor goleiro do Brasil: Flávio!"

Essa música ecoou nas arquibancadas da Vila Capanema e do Pinheirão de 2003 a 2007. Foi o tempo que Flávio Emidio dos Santos Vieira vestiu a número 1 do Tricolor. Goleiro campeão brasileiro pelo time do fim da rua, ele assumiu que na verdade prefere o Paraná. Quando defendeu a vermelha, azul e branca, Flávio, que nasceu em 17 de dezembro de 1970, foi campeão estadual de 2006 (sendo eleito o craque do campeonato) e peça fundamental na campanha que levou o time paranista à Copa Libertadores da América - o principal feito nesses quase 20 anos de história do clube.

Mas não foi só de alegrias a passagem de Flávio pela Vila Capanema. Em 2007, o goleiro participou dos fracassos na final do Estadual, quando o Paraná perdeu o título em casa para o ACP, e pouco pôde contribuir para que o Tricolor escapasse do rebaixamento à Segunda Divisão do futebol nacional.

Em entrevista exclusiva ao Paranistas.com.br, o goleiro contou sobre sua trajetória profissional e principalmente no Tricolor. Relatou momentos de alegria e de tristeza e não escondeu momento algum o carinho especial que sente pelo clube da Vila Capanema e seus adeptos.

O entrevistado do mês foi decidido através de uma votação na comunidade oficial do Paraná Clube no Orkut. O vencedor da enquete foi o ex-vice-presidente de marketing do Tricolor, Marcelo Romano, que, por motivos profissionais (está com uma agenda lotada), não pôde conceder a entrevista, mas se comprometeu de falar para a torcida em breve. Assim, o Paranistas.com.br foi atrás do segundo colocado na enquete, que foi o goleiro Flávio, que defendeu as cores vermelha, azul e branca de 2003 a 2007 e ficou na frente na pesquisa de nomes como Minelli, Ageu e Beto.

POSIÇÃO

Ser goleiro não era um sonho de Flávio. Em Maceió, sua terra natal e onde viveu até se mudar para Curitiba, o atleta gostava de jogar como centroavante. "Era isso o que eu pretendia, só que faltou coragem para ir em algum clube fazer teste", revela.

Em uma das peladas que disputava, Flávio acabou indo jogar no gol. Saiu-se bem, agradou aos amigos e a si próprio. Com o tempo, foi se aperfeiçoando na nova posição, até despertar a atenção de um técnico do CSA, que resolveu levá-lo ao time alagoano para fazer teste, quando tinha 14 anos.

Logo em sua primeira tentativa de virar um jogador federado, Flávio foi aprovado e passou a integrar as categorias de base do CSA. Com 20 anos, foi promovido para o profissional e não demorou para ganhar a primeira chance no time principal. "O goleiro titular acabou se machucando, aí colocaram eu para jogar. Fui muito bem e não saí mais do time", conta com orgulho.

No clube alagoano, o goleiro conquistou dois campeonatos estaduais, nos anos de 91 e 94, respectivamente.

CURITIBA

Em junho de 95, Flávio deixou Maceió e o CSA e veio tentar a sorte em Curitiba, para defender o time do fim da rua. "Foi na época em que o Petraglia assumiu, após aquele famoso Atletiba. Eles foram no Nordeste garimpar jogador, se interessaram por mim e fecharam o negócio. Outros jogadores da região também vieram, entre eles o Oséas", relembra.

No rival rubro-negro, Flávio conquistou oito títulos, entre eles o da Série A de 2001, o mais importante de sua carreira. "Ser campeão brasileiro é um sonho de todo jogador. Tem muito jogador que atua na seleção brasileira que não possui esse troféu. Foi mais saboroso ainda porque fui campeão em um time pequeno, pequeno em relação a história, não adianta querer comparar com Corinthians e Flamengo e companhia. Nisso é pequeno. Mas em estrutura é grande e tinha um baita time!"

"Ser campeão brasileiro é um sonho de
todo jogador. Tem muito jogador que atua
na seleção brasileira que não possui esse
troféu. Foi mais saboroso ainda porque fui
campeão em um time pequeno, pequeno
em relação a história, não adianta querer
comparar com Corinthians e Flamengo e
companhia. Nisso é pequeno. Mas em
estrutura é grande e tinha um baita time!"

O ciclo do jogador no time do fim da rua chegou ao fim em dezembro de 2002. O contrato de Flávio se encerrou e não houve renovação. O goleiro negou que tenha existido qualquer divergência com o então dirigente atleticano Mario Celso Petraglia.

Sem vínculo com o clube rival, Flávio recebeu propostas de Botafogo e Portuguesa, mas acabou acertando com o Vasco da Gama, que tinha como treinador Antônio Lopes, com quem ele já havia trabalhado em Curitiba.

PARANÁ CLUBE

A passagem do arqueiro pelo Rio de Janeiro foi curta. Flávio chegou no Vasco lesionado, ficando de fora das primeiras partidas da equipe cruzmaltina na temporada. Foi substituído pelo jovem Fábio (atualmente no Cruzeiro), que se saiu bem e ganhou a posição.

No início do Brasileiro de 2003, o Paraná estava em busca de algum jogador experiente para assumir a camisa número 1. Observou que Flávio estava no banco de reservas do clube carioca e fez proposta pelo goleiro, que se interessou desde o princípio. "O Vavá me ligou e perguntou se eu tinha vontade, disse que sim, mas que tinha contrato com o Vasco", recorda. "Na primeira tentativa, o Antônio Lopes e a diretoria do Vasco rejeitaram. Mas o Vavá insistiu e conseguiu fechar o negócio", complementa.

Apesar de ter jogado por mais de sete anos em um rival do Tricolor, o Pantera garante que momento algum sequer estranhou o interesse paranista. Tratou tudo com profissionalismo e ficou feliz pelo interesse, mesmo com a identificação com o time do fim da rua.

A torcida tricolor começou a ganhar o carinho de Flávio antes mesmo dele entrar em campo. No que desembarcou em Curitiba, para ser apresentado oficialmente como reforço do Paraná, o goleiro foi recepcionado no aeroporto por alguns torcedores. "Isso de fato me emocionou, não esperava uma recepção calorosa daquelas, ainda mais por ter jogado tanto tempo em um rival".

"Isso de fato me emocionou, não esperava
uma recepção calorosa daquelas, ainda mais
por ter jogado tanto tempo em um rival.
"


ESTREIA

A primeira partida do Pantera defendendo as cores vermelha, azul e branca aconteceu na 2ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2003 e foi logo contra o seu ex-clube, o time do fim da rua. Aqueles paranistas que ainda desconfiavam da forma que Flávio iria se sair com a camisa tricolor logo tiraram as suas dúvidas. O Paraná venceu por 3 a 0 (gols de Fernandinho, Renaldo e Marquinhos).

"Esse jogo foi muito especial para mim. Vencemos e eu fui eleito o melhor em campo. Me recordo que houve um pênalti a nosso favor e uma parte da torcida começou a pedir para eu ir cobrar. Fiquei morrendo de vontade! Era a minha estreia, contra o meu ex-clube ainda! Mas o Cuca acabou não deixando", conta, referindo-se a penalidade máxima desperdiçada por Fernandinho, no segundo tempo da partida.

"Esse jogo foi muito especial para mim.
Vencemos e eu fui eleito o melhor em
campo. Me recordo que houve um 
pênalti a nosso favor e uma parte da
torcida começou a pedir para eu ir cobrar.
Fiquei morrendo de vontade! Era a minha
estreia, contra o meu ex-clube ainda! 
Mas o Cuca acabou não deixando
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"PODERÍAMOS TER IDO MAIS LONGE"

Esse foi o sentimento do Pantera em seu primeiro campeonato disputado pelo novo clube. Jogando um futebol bonito e empolgante, o Tricolor terminou em 10º, conquistando uma vaga à Copa Sul-Americana. Algumas partidas daquela equipe estão gravadas até hoje na memória de muitos torcedores, como o 6 a 2 em cima do Flamengo e o 4 a 0 sobre o Internacional.

Para o goleiro, o Paraná só não foi mais longe em 2003 porque sofreu com as cinco trocas no comando técnico (Cuca, Adílson Batista, Saulo, Edu Marangon e Saulo novamente dirigiram o Tricolor naquele Brasileiro). "Não tinha como não atrapalhar. Cada um tem o seu estilo, quando a gente passava a se adaptar com o padrão e jeito dele, era substituído", relata. "Poderíamos ter ido mais longe, mas mesmo assim foi a melhor campanha do clube até aquele momento", pondera.

MUITAS MUDANÇAS

No ano seguinte, Flávio teve que conviver não apenas com constantes trocas no comando técnico, mas também de jogadores. Par se ter idéia, do time titular de 2003, restou apenas ele e o técnico Saulo. Substitutos a altura não vieram e, com uma equipe fraquíssima, o Tricolor sucumbiu no Estadual e foi disputar o Torneio da Morte, com Neguinho interinamente de treinador.

Para o Brasileiro, veio um time novo - com muitos jogadores oriundos do Iraty, inclusive o técnico Paulo Campos. A equipe começou alternando altos e baixos, ganhou em casa do Santos de Diego e Robinho e do Cruzeiro, que havia sido campeão brasileiro com folga no ano anterior, e foi goleado por Vitória e Juventude (6 a 1 e 4 a 0, respectivamente) quando atuou como visitante.

O treinador foi demitido, dando lugar a Gilson Kleina. O time perdeu o trilho de vez até que Paulo Campos retornasse ao clube e, com uma grande contribuição do Pantera, que estava em ótima fase, segurou o Tricolor na elite. "Essas mudanças de jogadores e treinadores nos atrapalharam muito. O Paulo Campos foi e voltou até", comenta Flávio. "Esse ano passamos o maior sufoco. Escapamos nas últimas rodadas. Graças a Deus eu estava muito bem, pude ajudar bastante o Paraná nesse momento delicado", finaliza.

Em 2005, novamente o elenco foi bastante alterado para o Estadual e, assim como em 04, o resultado foi abaixo do esperado. Saiu Paulo Campos e entrou Lori Sandri, que até fez o Paraná melhorar de rendimento, mas não o suficiente para classificar até a fase final.

Muitos jogadores foram dispensados e outros, como Borges, Pierre e Marcos, foram contratados. Flávio continuava em ótima fase e foi peça-chave para que aquele "time bacana", como classificou, chegasse ao 7º lugar.

"Esses mudanças de jogadores e
treinadores nos atrapalharam muito. 
O Paulo Campos foi e voltou até."

ENFIM, CAMPEÃO!

Não foram poucas as vezes em que Flávio foi envolvido em boatos de que deixaria o Tricolor. O Coritiba era um dos clubes que sempre estava apontado como um dos prováveis destinos do Pantera. Só que o arqueiro havia se comprometido de só sair da Vila Capanema depois de ser campeão. Depois de três anos no clube, o goleiro enfim pôde realizar o seu sonho em 2006.

Mesmo perdendo bons valores do elenco de 2005, o Paraná começou a temporada com um time base montado. Ganhou reforços de qualidade, entre eles o zagueiro Gustavo e o atacante Leonardo, e voltou a ser campeão do Estado após nove anos. "Sempre falei que só sairia do Paraná depois de campeão. Foi uma das minhas maiores felicidades", declara o jogador.

Só que a caminhada paranista não foi tranquila. Até a 10ª rodada, o Paraná tinha apenas três vitórias. "Estávamos tendo muitos altos e baixos, até jogar contra o União Bandeirantes, fora de casa. Não poderíamos perder de jeito nenhum, conseguimos o empate com um gol do Goiano, já nos acréscimos", recorda o Pantera. "Depois desse jogo crescemos na competição, no jogo seguinte metemos 3 a 0 no Coritiba e não perdemos mais", complementa.

Depois do sofrido 2 a 2 contra o União Bandeirantes, o Tricolor disputou dez jogos na competição (incluindo a final contra a ADAP) e obteve oito vitórias e dois empates.

Para Flávio, a reação do time e a conquista do título deve-se a muito aos tricolores que compareciam ao Pinheirão e aos jogos fora de casa. "A nossa torcida era diferenciada. No primeiro jogo da final, por exemplo, contra a ADAP, era a minoria no estádio, mas era muito animada, nos incentivou o tempo todo e nos passou uma vibração muito positiva", elogia o goleiro.

Quem também foi bastante elogiado pelo número 1 do Tricolor na conquista foi o técnico Luiz Carlos Barbieri, que acabou se despedindo do clube após a finalíssima. "Ele foi de fundamental importância na nossa caminhada. Esteve ameaçado de cair algumas vezes, mas nós fechamos com ele e prometemos para ele o título", revela. "Ele é um cara sensacional. É nervosão, mas sempre querendo ajudar", finaliza.

O time base paranista nesta conquista foi: Flávio; Gustavo, Emerson e Neguette; Goiano, Rafael Mussamba, Beto, Maicossuel, Sandro (Marcelinho) e Edinho; Leonardo. A vitoriosa campanha foi de 11 vitórias, sete empates e duas derrotas. No total, 35 gols foram marcados e 16 sofridos. O artilheiro foi Leonardo, que balançou a rede em 11 oportunidades.

"... sempre falei que só sairia 
do Paraná depois de campeão.Foi
uma das minhas maiores felicidades.
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"A nossa torcida era diferenciada.
No primeiro jogo da final, por 
exemplo, contra a ADAP, era a minoria
no estádio, mas era muito animada,
nos incentivou o tempo todo e nos
passou uma vibração muito positiva."

5º LUGAR NO BRASILEIRO

Já sob o comando de Caio Júnior, o Paraná teve a sua melhor participação em um Campeonato Brasileiro, chegando em 5º lugar e conquistando vaga à Copa Libertadores da América. "Formamos um grupo muito bom. Foi sensacional", resume Flávio.

De acordo com o goleiro, a pretensão do elenco paranista naquele campeonato era de se sagrar campeão brasileiro, mas o sonho não foi possível por forças maiores. "A nossa meta era de conquistar o título. Para muitos era um absurdo, mas a gente sabia que era possível. Mas quando fomos decidir o primeiro turno diante do São Paulo fomos roubados! Éramos para ter vencido aquele jogo e termos terminado essa fase na frente deles, que estavam a um ou dois pontos na nossa frente", protesta o Pantera, referindo-se aos inúmeros erros do árbitro Clever Assunção Gonçalves no jogo em que a equipe paulista acabou vencendo por 3 a 2.

Flávio admite que essa derrota abateu o Tricolor. Tanto é que nas cinco primeiras rodadas do segundo turno, o Paraná venceu apenas uma partida (Fluminense) e perdeu as outras quatro (Juventude, Botafogo, Grêmio e Corinthians). Por causa desses deslizes, o time paranista viu o São Paulo se distanciar e começou uma intensa briga contra o Vasco por uma vaga na Libertadores.

"A decisão acabou sendo contra o Inter, na Vila Capanema, debaixo de muita chuva. Vencemos por 1 a 0 e ultrapassamos o Vasco. Nos jogos seguintes, vencemos o São Caetano, fora de casa, e empatamos com o São Paulo. Só que eles também empataram e nós nos classificamos. Para nós valeu como um título", vibra Flávio.

O time-base paranista nessa campanha foi: Flávio; Peter, Gustavo, Edmílson (Neguette) e Eltinho; Pierre, Beto, Batista e Sandro; Cristiano (Maicossuel) e Leonardo.

No total, o Paraná venceu 18 jogos, empatou seis e perdeu 14, totalizando 60 pontos. Marcou 56 gols e sofreu 49. O artilheiro tricolor foi Cristiano, que fez a alegria dos paranistas 14 vezes.

DO CÉU...

O ano de 2007 começou de forma incrível para o Tricolor e para Flávio. Na primeira fase da Libertadores, o Paraná encarou o Cobreloa, em jogo eliminatório. Venceu por 2 a 0 no Deserto do Atacama e empatou por 1 a 1 na Vila Capanema, se classificando à fase de grupo. "Jogamos com inteligência. Tomamos um sufoco, mas felizmente estava em um bom dia e fui eleito o melhor em campo. Conseguimos vencer e avançar de fase".

Na fase de grupos, o Paraná, que estava sendo comandado pelo técnico Zetti, terminou em 2º lugar, com três vitórias e três derrotas. "Fizemos dois jogaços contra o Flamengo. Pena que acabamos perdendo os dois", lamenta.

Classificado às oitavas de final, o Tricolor encarou o Libertad, do Paraguai. Perdeu por 2 a 1 na Vila Capanema e empatou por 1 a 1 no Estádio Defensores Del Chaco, dando adeus para a competição mais importante da América. "Essa eliminação foi uma das maiores frustrações. Se avançássemos de fase enfrentaríamos o Boca Juniors. Jogaríamos na Labombonera, que é um sonho de todo jogador. Veríamos se é esse caldeirão todo que falam e se ganhássemos poderíamos sonhar com o título", conta, desapontado.

Apesar do jogo contra o Boca ter ficado no sonho, a participação do Paraná na Libertadores é motivo de orgulho para os tricolores. Mas a maior alegria de 2007 acabou acontecendo no Paranaense. Na semi-final do Estadual, o Tricolor venceu o time do fim pela primeira vez no seu reduto, quebrando um tabu de quase 18 anos. O placar da partida foi 3 a 1, de virada.

"A satisfação desse resultado foi muito grande. Quebrávamos um tabu e estávamos classificados para a final", afirma Flávio. "Quando jogava pelo Atlético, nunca havia perdido para o Paraná na Arena. Quando passei a jogar pelo Paraná joguei, na primeira vitória do clube na Arena. É gratificante", conclui.

AO INFERNO

Com o resultado positivo diante do time do fim da rua (no jogo de ida, na Vila Capanema, o placar foi de 0 a 0), o Tricolor enfrentaria o ACP na final, que havia eliminado o Coritiba. O bicampeonato parecia certo, mas não veio e deu início a péssima fase vivida pelos paranistas até hoje.

Na primeira partida da final, disputada em Paranavaí, vitórias dos donos da casa por 1 a 0. Alguns críticos dizem que Flávio falhou no gol de Tales, mas o Pantera se defende. "Não concordo que falhei, não. A falta era dentro ou próxima da meia-lua. Além da nossa barreira, eles (jogadores do ACP) formaram uma do lado. O rapaz cobrou a falta rasteira e forte e a barreira deles se desmanchou. Eu nem vi a bola!", contraria.

Uma vitória simples do Paraná na Vila Capanema levaria o jogo para a prorrogação. Vitória tricolor por dois gols de diferença ou mais o sagraria bicampeão.

A expectativa e a confiança dos tricolores de que a equipe faria um grande jogo era imensa. Só que quando a bola começou a rolar veio a decepção. O time de Zetti entrou em campo como se estivesse disputando um jogo qualquer, sem vontade e achando que venceria a partida como bem entendesse. O placar não saiu do zero e o Vermelhinho é quem fez a festa na Vila Capanema.

"Por sermos um time grande e por jogarmos em casa, achamos que venceríamos sem dificuldades. Fomos displicentes e fomos castigados. Peço desculpa aos nossos torcedores", admite Flávio. "Foi uma decepção muito grande para nós e para os nossos torcedores, que lotaram o estádio e esperavam o título. O abatimento foi geral", finaliza, desmentido que tenha acontecido qualquer atrito entre diretoria e jogadores após esse fracasso.

Mal deu tempo de se lamentar e começou o Brasileiro. O início paranista na competição foi avassalador, com 100% de aproveitamento nas três primeiras rodadas e a liderança isolada. Mas o rendimento foi caindo, alguns jogadores importantes no elenco foram saindo (Dinelson e Xaves, por exemplo) e cinco técnicos passaram pelo clube (Zetti, Pintado, Gilson Kleina, Lori Sandri e Saulo de Freitas). "Começamos bem, mas tivemos alguns problemas, como de contusão. Eu mesmo fiquei parado boa parte do campeonato", destaca Flávio.

Aliando esses problemas junto com uma crise política no clube (foram feitas denúncias de corrupção contra o então presidente em exercício, José Carlos de Miranda), o resultado não poderia ser diferente: rebaixado à Série B.

"Colocar a culpa na diretoria é tapar o sol com a peneira. Quem joga somos nós, jogadores. Para gente o escândalo do Professor Miranda não interferiu em nada, foi problema de diretoria. O que faltou para o Paraná escapar do rebaixamento foi futebol mesmo", dispara o goleiro, que garante que os salários e a premiação do elenco estavam em dia.

"Colocar a culpa na diretoria é tapar o
sol com a peneira. Quem joga somos 
nós, jogadores. Para gente o escândalo
do Professor Miranda não interferiu 
em nada, foi problema de diretoria. 
O que faltou para o Paraná escapar do
rebaixamento foi futebol mesmo".

Quando diz que faltou futebol, Flávio se inclui nessa lista. O rendimento do Pantera nesse campeonato foi muito aquém do esperado, o que irritou e decepcionou os torcedores. "Só que eu estava lesionado, estava com uma contratura no músculo posterior de coxa. Joguei alguns jogos no sacrifício para tentar ajudar. Tanto é que fui substituído em algumas ocasiões e fiquei fora de boa parte das partidas", argumenta.

Das 38 rodadas, o Pantera entrou em campo em 24, sendo que foi substituído em duas oportunidades (contra Botafogo e Náutico, ambas em casa). Com Flávio no time, o Paraná venceu seis jogos, empatou seis e perdeu as outras 12.

"Teve gente que tentou jogar toda a culpa em cima de mim, que era um dos líderes do time. Mas a parcela de culpa é de todos. A minha consciência está limpa, eu estava machucado. Só fico triste por não ter conseguido ajudar o Paraná no momento que ele mais precisou", reitera o atleta.

Após o rebaixamento, o contrato de Flávio com o Paraná expirou e não foi renovado, fato que ele já esperava. "Futebol é custo-benefício. Meu salário era alto e não tive um bom ano em 2007. Foi normal o que aconteceu".

Ídolo da torcida

Apesar do rebaixamento e da perda do título estadual, o Pantera é apontado até hoje como um dos grandes ídolos da história tricolor. Como homenagem, os torcedores paranistas cantavam ao goleiro antes do jogo a famosa música: "P#%a que o p@#$u! É o melhor goleiro do Brasil! Flávio!!".

"É uma honra receber esse carinho do torcedor do Paraná. Realmente é muito gratificante", afirma.

Paraná ou time do fim da rua?

Flávio foi um dos poucos jogadores que conseguiu entrar para a história dos dois rivais. Foi campeão, participou de campeonatos importantes pelos dois clubes e é ídolo das duas torcidas. Quando indagado qual dos dois possui a sua preferência, o Pantera não fica em cima do muro.

"Ah, com certeza o Paraná! Apesar de ter jogado mais tempo e ter conquistado mais títulos do outro lado, prefiro o Paraná. Aprendi a gostar muito desse clube. Eu torço de verdade pelo Paraná. É formado por pessoas mais humildes, mais simples. É algo carismático, que merece dar certo!", garante.

"Apesar de ter jogado mais tempo e
ter conquistado mais títulos do outro lado,
prefiro o Paraná. Aprendi a gostar muito
desse clube. Eu torço de verdade pelo
Paraná. É formado por pessoas mais
humildes, mais simples. É algo
carismático, que merece dar certo!"

Régis ou Flávio?

Uma das maiores discussão de boa parte da torcida paranista é sobre qual foi o melhor goleiro da história do Tricolor. Alguns apontam Luis Henrique, campeão da Série B de 92, e Marcos, goleiro do time que conquistou o Módulo Amarelo da João Havelanche, em 2000, como os principais, mas a maioria aponta Régis e Flávio. Desta vez, quem responderá a pergunta é um dos candidatos.

"Ah, é difícil (risos)! Mas acho que ele (Régis) foi melhor. Jogou por mais tempo e conquistou mais títulos. Foi mais importante, mas sei que contribui muito pelo Paraná também. Fico feliz pela lembrança e pela comparação, mas o Régis leva vantagem”, indica.

Rapidinhas

Melhor jogo: “São três que destaco: contra o Atlético, na minha estreia; o primeiro jogo da final, contra a ADAP, que foi 3 a 0; e contra o Inter, em 2006, debaixo de muita chuva. Ganhamos e ultrapassamos o Vasco, entrando no grupo que iria para a Libertadores”.

Melhor time: “Gosto muito do time de 2003, era um baite time! Uma pena não temos conseguido ir mais longe. E o de 2006 também, que foi o que nos levou para a Libertadores”.

Melhor jogador: “No Paraná gostei muito de atuar ao lado do Reinaldo e do Marquinhos, que eram mais experientes. Dos mais jovens destaco o Thiago Neves e o João Vítor, que não tinha muitas chances, mas era muito bom jogador”.

Melhor técnico: “Gostei de trabalhar com quatro, que foram o Barbieri, o Lori Sandri, o Zetti e o Saulo”.

Momento especial: “Quando nos classificamos à Libertadores. Valeu mais do que um título!”

Sobe esse ano? "Se reagir já, sim. Tem condições de subir, mas já perdeu muitos pontos. Estou na torcida".

Futuro: "Tenho contrato com o América Mineiro até o fim do ano. Estou muito bem, não estou sofrendo de lesões e tendo um bom rendimento. Só fiquei de fora de dois jogos, por motivo de lesão. Estou feliz e estamos perto de conseguir o acesso à Segunda Divisão. O povo aqui me adora e querem que eu renove o contrato. Vamos ver o que vai acontecer. Espero jogar mais ano que vem e depois me aposentar e voltar a morar em Maceió".

RECADO PARA A TORCIDA

Assim como em toda a entrevista do mês, o Paranistas.com.br pediu para Flávio mandar um recado à exigente torcida tricolor.

“Peço para que os torcedores do Tricolor não se esqueçam de todas as coisas boas que fiz pelo clube na minha passagem. Que não se apeguem a 2007, onde as coisas não foram boas. Torço para o Paraná, de verdade mesmo. Peço que eles não desistam, que continuem incentivando o time como sempre fizeram. Sei que eles são capazes de fazer a diferença e de recolocar o Paraná na Primeira Divisão, que esse é o lugar dele”.

Imagens 1, 8, 9 e 10: arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao simpático Sr. João Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e Memória do Paraná Clube. As imagens restantes são do acervo do Paranistas.com.br.

por   DANIEL PIVA   
13/08/09

 



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