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Entrevista
do mês

Adoílson:
o craque da número 8!
Um jogador extremamente habilidoso, voluntarioso e com um faro de gol
apurado. Estas são alguma das características de Adoílson
Costa, um meia-direira que entrou para a história do Paraná.
Nascido em 13 de setembro de 1964, em Presidente Prudente, o
ex-atleta conquistou em sua passagem pela Vila Capanema três
títulos estaduais (91, 93 e 94) e o Brasileiro da Segunda
Divisão, em 92. Depois de entrevistar Saulo, Régis e
Ricardinho, entre outros ídolos, o Paranistas.com.br
finalmente conseguiu conversar com o melhor camisa 8 da
história do Tricolor. Um privilégio.
Adoílson
foi um dos primeiros jogadores a serem contratados pelo
Tricolor. Além dos títulos, o ex-meia ostenta impressionantes
marcas: é o quarto atleta que mais vezes vestiu a
vermelha, azul e branca (realizou 241 jogos) e marcou 78 gols,
sendo o segundo maior artilheiro da história do clube – está
atrás apenas de Saulo, que fez a alegria dos paranistas 106
vezes.
O
“Bagaço”, como é carinhosamente chamado, é apontado por
muitos como o melhor jogador que já jogou no Paraná. O
entrevistado do mês demonstrou um imenso carinho pelo clube,
descreveu histórias de bastidores e comentou sobre os momentos
de glória. A fama de indisciplinado, que carrega desde os
tempos de jogador, foi confirmada pelo ex-meia, mas com algumas
ponderações. E Adoílson acredita que, se jogasse nos tempos
modernos, alcançaria a seleção brasileira.
Quanto
ao futuro tricolor, o ex-atleta declarou apoio total a chapa de
Aramis Tissot, que concorre as eleições presidenciais que
ocorrerá em novembro deste ano.

INÍCIO
Atualmente
morando em Maringá (possui uma escolinha de futebol em uma
cidade vizinha, a de Iguaraçu), Adoílson declarou que ser um
jogador profissional era o seu sonho desde os tempos de infância.
O
sonho começou a virar realidade quando morava em Presidente
Epitácio. Adoílson jogava futebol de rua, até ser chamado
para atuar no Beira-Rio, time da cidade. “Eu tinha uns 15
anos, entrei no juvenil. Me destaquei e já fui para os
juniores, mesmo sem ter base alguma. Tudo o que sabia era da
rua!”, destaca.
No
juniores, a passagem de Adoílson foi mais rápida ainda. A
equipe da sua categoria viajava junto com o profissional e, em
um de seus primeiros jogos, já foi promovido a equipe
principal. “Com 16 anos eu já estava no profissional”,
conta.
PARANÁ
CLUBE
Do
Rio-Branco, Adoílson Costa foi disputar a Divisão Intermediária
do Campeonato Paulista em um time de Presidente Prudente. Mais
uma vez foi o principal destaque da equipe, o que o credenciou
para jogar no Corinthians. “Cheguei lá e só tinha jogadores
de nível de seleção brasileira. Para se ter ideia, o goleiro
era o Waldir Peres. O Ronaldo era o terceiro goleiro. Na minha
posição tinha o Biro-Biro e o Jorginho, ex-Palmeiras”.
Devido
a alta concorrência, Adoílson teve poucas oportunidades no
Corinthians, o que o desapontou. “Eu achava que tinha que
jogar, por isso acertei com o Grêmio Maringá, em 88. Me saí
muito bem”, recorda.
Foi
em Maringá que o meia conheceu a pessoa que o trouxe para o
Tricolor. Trata-se do preparador físico Carlinhos Neves, que
atualmente trabalha no São Paulo. “Ele (Carlinhos Neves)
estava sabendo da fusão entre Colorado e Pinheiros e tinha me
dito que iria me levar para um time grande. Quando surgiu o
Paraná e me procuraram, não pensei duas vezes”.
Adoílson
foi o quinto reforço da história do Paraná. Antes dele (que
foi comprado junto
a equipe do Grêmio de Maringá, por NCz 600 mil, mais os passes
do zagueiro Índio e do meia Telvir), foram contratados os meias
Pedrinho Maradona e Marquinhos Benato, o ponta Sérgio Luis e o
zagueiro Wagner.
No
novo clube, o ídolo paranista recorda como foram os seus
primeiros dias. “Era visível que daria certo, a estrutura era
muito boa e bons jogadores estavam sendo contratados. Fui buscar
o meu espaço. Deu certo. Foi o começo do carinho imenso que
sinto pelo Paraná”, afirma.
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"Ele
(Carlinhos Neves) estava sabendo
da fusão entre
Colorado e Pinheiros e
tinha me dito que iria me levar
para um
time grande. Quando surgiu o Paraná e
me
procuraram, não pensei duas vezes."
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PRIMEIRO
GOL
A
primeira partida do Tricolor aconteceu no dia 4 de fevereiro de
90, diante do Coritiba, no Couto Pereira. O placar foi de 1 a 0
para o adversário e Adoílson participou do confronto.
No
jogo seguinte, contra o Cascavel, vitória paranista por 1 a 0.
Gol de Sérgio Luís, o primeiro do novo clube. “Ele (Sérgio
Luís) entrou para a história. Ele merece. Era um baita
ponta-direita, cruzava como poucos. Uma pena que teve poucas
oportunidades. Além de um grande jogador, ele é um grande
amigo meu, que me ajudou muito”, diz o entrevistado.
Já
o primeiro gol de Adoílson no Paraná veio diante do Londrina,
no empate por 1 a 1, em partida disputada na 3a rodada,
fora de casa.

CAMPANHA
Apesar
da derrota na estreia, a campanha paranista no seu primeiro ano
de vida foi muito boa. Obteve 19 jogos de invencibilidade, com
direito a goleadas históricas sobre o Paranavaí, 9 a 1 – com
três gols de Adoílson – e 6 a 0 na Platinense, com o ex-meia
balançando a rede duas vezes.
Na
Série C, mais uma boa campanha, que deu o acesso ao Tricolor à
Série B. “Faltou muito pouco para sermos campeão. O que
atrapalhou, na minha opinião, foi o excesso de jogadores no
plantel devido a lesão. Era um número altíssimo de atletas. O
(Rubens) Minelli (treinador do Paraná na época) perdeu um
tempo para fazer os ajustes necessários no elenco”, aponta.
“Tínhamos
sete, oito meias. Com isso, passei a ser escalado como
centroavante. Cheguei no Minelli um dia e disse para ele que não
gostava de atuar naquela função, era diferente das minhas
características. Disse para ele que aceitava até mesmo ir para
o banco. Nisso ele efetivou o Maurílio, se não estou enganado,
com o Sérgio Luís na frente e eu passei a jogar como meia”,
declara.
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"
Faltou
muito pouco para sermos
campeão (da Série C). O que atrapalhou,
na
minha opinião, foi o excesso de
jogadores no plantel
devido a lesão.
Era um número altíssimo de atletas.
O
(Rubens) Minelli (treinador do Paraná
na época) perdeu
um tempo para fazer
os ajustes necessários no
elenco."
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TÍTULO
Segundo
Adoílson, o fato do time não ter conseguido se sagrar campeão
no primeiro ano não causou pressão nenhuma ao elenco. De
acordo com o ex-meia, todos sabiam que o clube estava no caminho
certo e que não demoraria para que o primeiro título viesse.
Para
o ano de 1991, houve uma troca na comissão técnica. Saiu
Rubens Minelli e chegou Otacílio Gonçalves. Para a equipe, reforços
importantes foram contratados, entre eles o Saulo e Serginho.
“Formamos um time mais forte ainda. Não desmerecíamos ninguém,
mas sempre sabíamos que iríamos ganhar”, destaca Adoílson.
A
confiança não era apenas dos jogadores. Diretoria e comissão
técnica também acreditavam muito no potencial do elenco e
apostavam no título. “O Otacílio (Gonçalves) não precisava
nem fazer preleção. Todo mundo sabia quem ia para o jogo e o
que deveria fazer. Ele apenas entregava as camisas”, brinca o
craque, que faz questão de não tirar o mérito do comandante.
“Teve uma partida, que não me lembro muito bem contra quem
era, mas nós estávamos jogando mal demais. A bola não entrava
de jeito nenhum. Nós estávamos nos cobrando muito. No
intervalo, o Otacílio entrou no vestiário e disse: 'Vocês estão
jogando demais! Nunca vi coisa igual'. E saiu. No final ganhamos
de goleada. Ele sabia como mexer com a gente”, revela.
Desta
maneira, o título não tinha como fugir da Vila Capanema. E ele
veio no dia 8 de dezembro, no empate por 1 a 1 com o Coritiba,
no Couto Pereira, com gol de Ednelson. “A nossa caminhada foi
tranquila. Chegamos num estágio em que sabíamos que entraríamos
em campo e venceríamos”.

O
escalação do time que conseguiu o título foi: Celso
Cajurú; Balu, Castro, Servílho e Ednélson; João Antônio,
Adoílson e Marquinhos Ferreira; Carlinhos (Ney Santos),
Serginho (Servilho) e Saulo.
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"(...)
Não
desmerecíamos ninguém,
mas sempre sabíamos que iríamos
ganhar."
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SEGUNDA
DIVISÃO
Em
1992, para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, a
comissão técnica e o time foram mantidos. Para complementar,
foi contratado o goleiro Luis Henrique. Com uma campanha de 13
vitórias, 15 empates e somente duas derrotas, o Tricolor
conquistou o primeiro título nacional de sua história.
“Ganhamos
o campeonato mesmo com os cartolas querendo subir o Grêmio de
qualquer jeito. Jogamos várias vezes e sempre fomos levando a
melhor. Para nós era algo histórico levar o Paraná à
Primeira Divisão”, conta Adoílson, referindo-se as
tentativas de virada de mesa que aconteceram durante o
campeonato para que a equipe gaúcha retornasse à elite.
Para
o entrevistado, o momento mais especial de toda a campanha
paranista foram mesmo as finais diante do Vitória. “Foram
duas partidas incríveis. Eles tinham um time muito bom, com uma
nova geração. Na primeira partida, vencemos por 2 a 1, com
dois gols meus. Mas poderíamos ter goleado”, assegura. “No
jogo de volta, encaramos eles com o Fonte Nova lotado. Mas nós
estávamos nem aí. Fizemos mais uma grande partida e vencemos
por 1 a 0, com gol do Saulo. Eles nos aplaudiram em pé”,
complementa orgulhoso.

Em
relação a preparação da equipe para a partida decisiva, o
ex-meia relembra um fato curioso. “Nós chegamos em Salvador
um dia antes do jogo. Os jornais, a televisão e a torcida só
falavam nisso. Todos acreditavam que o Vitória reverteria o
placar. No dia da partida, ainda no hotel, nós jogadores estávamos
todos reunidos. Chegou o Otacílio e disse: 'Obrigado por me
fazerem mais uma vez campeão', e saiu”, detalha. “Ele (Otacílio)
era um cara incrível. Com poucas palavras nos mostrava o
caminho. Não era chato. Eu odiava preleção, queria ir de uma
vez para o jogo. Mas ele sabia como fazer as preleções”,
elogia.
O
time-base campeão da Série B era: Luis Henrique; Balú,
Gralak, Servilho e Ednelson; João Antônio, Adoílson e
Marquinhos Ferreira; Maurílio, Saulo e Serginho.
"Nós
chegamos em Salvador um dia
antes do jogo. Os jornais, a
televisão e a torcida só falavam nisso. Todos
acreditavam que o Vitória reverteria o placar. No dia da
partida, ainda no hotel, nós jogadores estávamos
todos reunidos. Chegou o Otacílio e disse: 'Obrigado
por me
fazerem mais uma vez campeão', e saiu.
"
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DERROTA
DO ESTADUAL
Por
ter conquistado a Série B e por ter sido campeão de 91, o
Tricolor entrou no Estadual de 92 como favorito. Sob o comando
do técnico Mário Juliatto (Otacílio Gonçalves acertou com o
Palmeiras logo após o título da Segunda Divisão), o Paraná
fez boa campanha, mas acabou eliminado pelo União Bandeirantes
na semifinal. O algoz paranista decidiu o Paranaense com o
Londrina e acabou derrotado.
Adoílson
concorda que é difícil explicar o ocorrido, mas descarta a hipótese
levantada por alguns de que houve salto alto. “Nosso time era
bom, estávamos confiantes, mas não deu. Lutamos até o fim,
fiz um gol mas não foi o suficiente”, frisa.
Sobre
um desentendimento que houve entre os jogadores momentos antes
da primeira partida, conforme o presidente do Paraná na época,
Darci Piana, relatou ao Paranistas.com.br
na entrevista de outubro de 2008 (o ex-dirigente declarou que
Saulo e Serginho trocaram farpas), Adoílson discorda que ela
tenha pesado no placar.
“O
Saulo era vaidoso, mas resolvia. Ele e o Serginho discordavam
muito, existia muita divergência entre os dois. Mas não
acredito que isso tenha influenciado na eliminação”, conta.
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"O
Saulo era vaidoso, mas resolvia. Ele e
o Serginho
discordavam muito, existia muita
divergência entre os
dois. Mas não acredito
que isso tenha influenciado na
eliminação."
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1993
Após
a decepção no Paranaense de 92, o Paraná recuperou no ano
seguinte a hegemonia estadual. Com uma campanha 20 vitórias,
nove empates e somente duas derrotas, o Tricolor conquistou o título
com uma rodada de antecedência, ao vencer o Matsubara por 3 a
1. Para Adoílson, esse foi o campeonato que o clube paranista
teve mais facilidade. “O time estava mais maduro, com o nome
feito. Todo mundo nos temia, mas todo mundo queria nos vencer.
Para o interior não existia mais o Atlético e o Coritiba”,
declara.
Dos
31 jogos, Adoílson escolheu o que o Tricolor venceu o time do
fim da rua por 1 a 0, com gol de voleio de João Antônio, como
o mais especial. “Naquela semana ele (João Antônio) saiu
carregado de um treino, com suspeita de cirurgia. Ele, com toda
a vontade, fez um intensivo e conseguiu ir para o jogo. Foi
presentiado com aquela pintura”, recorda.
Com
mais um título assegurado, o Paraná foi participar pela
primeira vez da Série A do Campeonato Brasileiro. Chegou em 10o
lugar, com direito a uma goleada de 6 a 1 sobre a
Desportiva do Espírito Santo, na Vila Capanema. “Nós jogávamos
de igual para igual contra grandes times. Não tínhamos medo,
íamos para cima mesmo. Jogávamos futebol. Hoje em dia, talvez
atuássemos com mais cautela. Quem sabe poderíamos ter ido mais
longe”.
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"O
time estava mais maduro, com o nome
feito. Todo mundo
nos temia, mas todo
mundo queria nos vencer. Para o
interior
não existia mais o Atlético e o
Coritiba."
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BICAMPEONATO
Novamente
o Tricolor entrou no Campeonato Paranaense como o time a ser
batido. Mas nem mesmo o fato dos adversários se doarem ao máximo
nas partidas contra o Paraná foi o suficiente para evitar que o
título mais uma vez ficassem com o clube da Vila Capanema.
Segundo Adoílson, o diferencial da equipe paranista era a
continuidade do trabalho.
"A
nossa auto-confiança era grande. Nosso elenco estava formado
desde 91, não mexia muita coisa. Já os nossos rivais
precisavam mudam para tentar nos surpreender. Nós sabíamos
como jogar, explorávamos isso. Atacávamos com cinco, seis
jogadores de qualidade que eram capazes de fazer o gol e decidir
a partida”, analisa.

O
principal destaque da campanha do Bicampeonato foi a goleada
sobre o Coritiba por 4 a 0, em pleno Couto Pereira, com dois
gols de Saulo, um de Ézio e um de Claudinho.
Mas
a decisão do título acabou sendo contra o Londrina, no dia 5
de junho, na Vila Olímpica do Boqueirão. Nesta partida, que
foi disputada em um domingo de manhã, Adoílson vinha se
destacando, sendo apontado por muitos como o melhor jogador em
campo. Até que, aos 36 minutos do segundo tempo, o meia foi
agarrado pelo adversário dentro da área e o árbitro Carlos
Jack Rodrigues Magno assinalou a penalidade máxima.
Ele
mesmo bateu, mas o goleiro Julio César fez a defesa. “Precisávamos
vencer. Saiu o pênalti, bati e perdi. Mesmo assim não passou
nada pela minha cabeça, agi com naturalidade. Não podia me
abater. Sabia que o gol iria acabar saindo”, garante.
E,
aos 43 minutos, após uma bola afastada pela zaga do Londrina,
que ia em direção a linha de fundo, Adoílson conseguiu salvá-la
e fez um cruzamento precioso que resultou no gol do título.
“A bola ia sair. Me esforcei e consegui evitar que ela saísse.
Levantei a cabeça e vi o Nei Júnior entrando livre na grande
área. Fui feliz no cruzamento e ele marcou o gol”, narra.
O
time base do bicampeonato foi: Régis; Roberval, Marcão,
Edinho Baiano e Denílson; Tadeu, João Antônio, Claudinho e
Adoílson; Saulo e Ney Júnior. Técnico: Rubens Minelli.
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"Precisávamos
vencer. Saiu o
pênalti, bati e perdi. Mesmo assim não
passou nada pela minha cabeça, agi
com naturalidade. Não
podia me abater.
Sabia que o gol iria acabar saindo
."
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LA
CORUÑA
Para
festejar a conquista do Bicampeonato Paranaense, o Tricolor
realizou uma partida festiva com o Deportivo La Coruña, que
havia sido vice-campeão espanhol naquela temporada. O amistoso
foi com o intuito dos jogadores paranistas receberem a faixa de
campeão e aconteceu no dia 12 de junho de 1994, no Couto
Pereira.
"Foi
uma coisa diferente. Eles tinham jogadores como Bebeto e Mauro
Silva. Nós gostávamos de jogo assim. Fomos para cima e
vencemos por 2 a 0. Fiz um gol e sofri um pênalti, que deixei
para o Nei Júnior bater", resume Adoílson.

VITÓRIA
Ao
término da temporada de 94, Adoílson se despediu do Tricolor.
Foi atuar no Vitória da Bahia. "O que me levou a ir foi o
desafio. Aqui era incrível, tinha o carinho da torcida e todo o
suporte da diretoria. Todo dia 5 era certo que iria receber. O
Vitória estava se reestruturando, foi quando o Paulo Carneiro
assumiu".

Na
Bahia, o ex-meia repetiu o sucesso. Sagrou-se tricampeão baiano
e também virou ídolo da torcida. "Assim como no Paraná,
eles sentem um carinho muito grande por mim. Me adicionam no
Orkut agradecendo os feitos, são bastante fervorosos".
Adoílson
ficou no Vitória até o ano de 97. Antes de se aposentar, o
ex-jogador passou pela Inter de Limeira e pelo Londrina.

INDISCIPLINA
Muitos
apontam Adoílson como o melhor jogador da história do Paraná,
alegando que se não fosse a postura do ex-meia no extra-campo
ele poderia ter ido mais longe ainda. "Dentro das quatro
linhas sempre me dediquei ao máximo. Fora, sempre segui aquilo
que achava certo. Nunca tive problema com companheiro, membro da
comissão técnica ou diretoria. Nunca fui traíra. O que eu
fazia nunca escondia de ninguém. Todos sabem que bebia
cerveja", admite. "Inclusive, na decisão de 92,
contra o Vitória, eu fui para Salvador bebendo cerveja no avião",
complementa.
Outro
hábito de Adoílson, que, para muitos não condiz com a imagem
de um atleta profissional, era a de fumar cigarro. "Eu
fumava um cigarrinho antes do treino, depois do treino... assim
ia. Mas sem exageros. Nunca virei a noite em boteco bebendo e
fumando", justifica.
Quanto
as aleações de que não chegou a seleção brasileira por
causa de sua postura fora dos gramados, Adoilson discorda e
apresenta novos argumentos. "Eu não fui convocado porque
jogava no estado do Paraná. Fui especulado algumas vezes para
ser convocado. Faltou força política aos nossos dirigentes. Se
fosse nos dias atuais, em que a força política é maior e há
empresários, que influenciam muitas coisas, acredito que teria
sido chamado sim".
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"Inclusive,
na decisão de 92, contra o
Vitória, eu fui para
Salvador bebendo
cerveja no avião (...)
Eu
fumava um
cigarrinho antes do treino, depois do
treino...
assim ia. Mas sem exageros. Nunca virei a
noite em boteco bebendo e fumando."
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"Eu
não fui convocado porque jogava
no estado do Paraná.
Fui especulado algumas vezes para ser convocado.
Faltou
força política aos nossos dirigentes. Se fosse nos
dias atuais, em que a força política é maior e há
empresários,
que influenciam muitas coisas,
acredito
que teria sido chamado sim."
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PARANISTA
DE CORAÇÃO
Adoílson
garante que acompanha o Tricolor até hoje. Sempre que pode,
assiste aos jogos e torce muito pelo sucesso paranista.
"Tudo o que eu tenho nessa vida devo ao Paraná. Se hoje eu
tenho condições de sustentar minha família, é graças ao
Paraná. Por isso que o carinho que eu sinto por esse clube é
imenso, supera qualquer outro. Gosto muito do Vitória também,
mas nem se compara com o sentimento que tenho pelo Paraná.
Tenho os meus gols gravados em DVD e sempre assisto com meus
filhos e amigos. Na escolinha os alunos pedem também, mostro
sempre com orgulho!", destaca.

ATUAL
MOMENTO
Sobre
o atual momento que se encontra o Paraná, Adoílson prefere não
fazer críticas, e sim declarar apoio incondicional ao clube.
"Quem sou eu para avaliar? O que digo é que tudo tem a sua
hora. Jamais criticarei o Paraná Clube, apenas o acompanharei e
torcerei muito. Lamento pela atual fase, mas acredito na volta
por cima".

ARAMIS
TISSOT
Foi
na gestão de Aramis Tissot que o Tricolor contratou Adoílson.
Sobre qual a avaliação que faz do ex-presidente e candidato da
chapa "Revolução Paranista", que disputa o cabo
eleitoral que será realizado em novembro, o ex-jogador não
demonstrou incerteza alguma. "Ele (Aramis Tissot) é um
po#@a louca, mas um po#@a louca que deu certo. Ele é o cara! É
de pessoas como ele que o Paraná está precisando novamente. Se
eu pudesse votar, votaria nele de olhos fechados, sem nem sequer
olhar o nome dos adversários", indica.
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"Ele
(Aramis Tissot) é um po#@a louca,
mas um po#@a louca
que deu certo. Ele é
o cara! É de pessoas como ele que
o Paraná
está precisando novamente. Se eu pudesse
votar, votaria nele de olhos fechados, sem
nem sequer
olhar o nome dos adversários."
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JOGO
INESQUECÍVEl
Indagado
sobre qual foi o jogo mais especial dos 241 que disputou pelo
Paraná, Adoílson relembra um que não deu nenhum título, mas
que prova a raça e superação daquele time. "A partida
inesquecível foi contra o Grêmio, no Olímpico, em que o
Serginho driblou alguns adversários e bateu por cobertura na saída
do goleiro, um golaço! Vencemos por 1 a 0, mesmo estando com
alguns jogadores a menos".
Esse
jogo foi disputado pela Copa do Brasil de 92 e o Tricolor teve
três jogadores expulsos (Servilho, Balu e João Antônio). Na
partida de volta, no Pinheirão, vitória do Grêmio por 2 a 1,
que se classificou à fase seguinte.

RECADO
PARA A TORCIDA
Assim
como em toda a entrevista do mês, o Paranistas.com.br pediu
para Adoílson mandar um recado à exigente torcida tricolor.
"O
recado que eu deixo para o torcedor que nos viu jogar, na década
de 90, que não faça comparações com os novos times. O
futebol mudou muito. Sei que o momento não é bom, mas
precisamos de paciência e torcer muito. Eu estarei com o Paraná
Clube para sempre, pois ele nunca vai acabar. Seja na Primeira,
na Segunda, na Terceira ou na Quarta Divisão".
Imagens:
arquivo Paraná Clube,
Paranautas.com, Jornal do Povo
e imagens pessoais do ex-atleta. Agradecimentos ao simpático Sr. João
Maria Barbosa, responsável pelo setor de Preservação e Memória
do Paraná Clube.
por
DANIEL
PIVA
24/09/09
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