Maurílio, um
paranista de
coração

Revelado nas categorias de base do Pinheiros, Cleverson Maurílio
Silva está na história do Tricolor. Identificado com o clube,
Maurílio sempre que vestiu a camisa do Paraná a honrou e
encantou a torcida. Campeão paranaense em 91, da Segunda Divisão
em 92 e o grande herói na fuga contra o rebaixamento no
Campeonato Brasileiro de 2002, o atacante é o entrevistado do
mês de janeiro do Paranistas.com.br.
Maurílio
conversou com exclusividade a este site e recordou as conquistas
e emoções que viveu quando defendeu as cores vermelha, branca e
azul. Revelou o desejo de voltar ao Tricolor e o grande carinho
que sente pela nação paranista. Mencionou também algumas
decepções e problemas que viveu dentro do clube.
Atualmente,
Maurílio está morando em Fortaleza. Diz que ainda não encerrou
as atividades como jogador, mas está sem clube. Sobre o futuro,
o objetivo é virar treinador de futebol e comandar a equipe da
Vila Capanema. "Quero virar técnico e inclusive treinar o Paraná
Clube algum dia".
O
Paranistas.com.br pede desculpas aos torcedores e
principalmente ao Maurílio por não disponibilizar o áudio da
entrevista no site por problemas técnicos.
COMEÇO
Nascido em 28
de dezembro de 1969, a carreira de Maurílio teve início em
alguns clubes amadores de Brasília. Em 89, surgiu a hipótese de
vim jogar em Curitiba. "Fiz
o teste no Pinheiros e passei. Acabei ficando e deu certo",
contou o atacante. "Graças a Deus que o meu grande começo foi no
Paraná", complementou.
Inicialmente
o brasiliense teve algumas dificuldades na capital paranaense,
mas que acabou sendo rapidamente contornado. "Achei
um pouco estranho no começo. Não era só a temperatura que era
fria, as pessoas também eram. Mas aos poucos fui me adaptando
com as pessoas, com a cidade e o carinho foi aumentando”.
Por ter
chegado no último ano de existência do clube, Maurílio pouco
viveu o Pinheiros, já que em dezembro de 89 aconteceu a fusão
com o Colorado, que resultou no Paraná Clube.
No novo clube, o atleta logo foi puxado para o profissional. "Estava
no juniores. Houve uma peneirada com o professor Rubens Minelli
e eu fui promovido. Joguei alguns jogos com ele. Aí chegou o
Otacílio Gonçalves e eu comecei a jogar e não saí mais”,
recordou.
De acordo com
Maurílio foram poucos os pratas da casa daquela safra do
Pinheiros que conseguiram se destacar no Tricolor e no cenário
nacional. "Que
eu me lembre foi só eu e o Gralak que conseguimos nos dar bem no
futebol. Ele jogou no Corinthians e em outras grandes equipes".
Indagado se eram valorizados ou não, o entrevistado respondeu
sem dúvida alguma. "Tinham
um respeito muito grande com a gente. Viam que tínhamos um
futuro promissor e nos valorizavam bastante, sim", falou. "Não
basta apenas ter qualidade, tem que ter sorte também. Se o cara
não tiver sorte não adianta, por mais talentoso que seja. E eu
tive essa sorte aí no Paraná, que abriu as portas para mim",
acrescentou.
|
"Não
basta apenas ter qualidade, tem que ter sorte também. Se
o cara não tiver sorte não adianta, por mais talentoso
que seja. E eu tive essa sorte aí no Paraná, que abriu
as portas para mim." |
OTACÍLIO
GONÇALVES
Conforme já
foi relatado, Maurílio passou a ser mais utilizado no Tricolor
após a chegada do técnico Otacílio Gonçalves. O atleta admitiu
uma grande gratidão pelo comandante, com quem possui um grande
laço afetivo. "O
Otacílio foi um paizão para mim. Me ajudou muito, me levou para
o Palmeiras e me deu maior força. Não é só porque me levou que
eu tenho essa consideração por ele, é por tudo. Sempre me
respeitou. Com certeza é o melhor treinador com quem já
trabalhei”.
PARANAENSE DE 91

Com Otacílio
Gonçalves e Maurílio no elenco o Paraná conquistou o primeiro
título de sua história. Em um campeonato de pontos corridos, o
Tricolor empatou por 1 a 1 no Couto Pereira com o Coritiba e
sagrou-se campeão estadual. O autor do gol do título foi
Ednelson.
Maurílio não
foi titular em boa parte da campanha, fato que não o faz ter um
carinho menor pelo título. "Eu
entrava em algumas partidas. Foi muito bom. O investimento do
Paraná havia sido grande. Foi montada uma verdadeira seleção do
futebol paranaense. E eu estava na luta por um lugar. Comecei
jogando mas depois saí. Foi maravilhosa aquela conquista".
SÉRIE B DE 92
O Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão de 92 é considerado o título mais
importante da história do Tricolor. Nele, Maurílio foi titular
em boa parte da campanha e de suma importância para a conquista
paranista. No comando técnico, mais uma vez estava Otacílio
Gonçalves. "Foi a minha aparição para o futebol nacional. Abriu
as portas para mim", relembrou o atacante.
Sobre qual
era o estilo de jogo daquela equipe, o atacante destacou o fato
do Paraná jogar sempre em busca da vitória. "A equipe jogava
sempre em busca do gol. Tinha grandes jogadores, como Balú,
Ednélson, Adoílson, João Antônio, Serginho, eu, Saulo... uma
porrada de gente boa. Foi uma conquista marcante".

A escalação do time
campeão era: Luis Henrique; Balú, Gralak, Servilho e Ednelson;
João Antônio, Adoílson e Marquinhos Ferreira; Maurílio, Saulo e
Serginho.
Em relação a
qual momento que passou a confiar na conquista do título,
Maurílo respondeu com bom-humor. "Na verdade foi na hora que eu
entrei no time (risos). Tudo o que eu tentava fazer dava certo.
Não só eu, mas o grupo inteiro e o Otacílio Gonçalves também.
Teve vários jogos fora de casa dificílimos que ninguém
acreditava na gente e ia lá e passávamos. Igual a final contra o
Vitória, onde ganhamos em casa por 2 a 1 e na Bahia por 1 a 0".

Segundo
Maurílio, ele entrou no time na partida diante do União São João
de Araras. "Eles
tinham um time muito bom. Na lateral era o Roberto Carlos. Eu em
dois lances tirei o Roberto Carlos do jogo, foi expulso".
Já sobre a importância
que a nação paranista teve na conquista, Maurílio demonstrou uma
grande admiração. "Sobre
a torcida do Paraná não tem nem o que falar. Era o nosso
principal jogador. Todo jogo era com estádio lotado. Era
incrível a energia que passavam. Todo mundo fala que a torcida é
o 12º jogador, para mim, nesse caso, era o primeiro, o
principal".
Logo após a conquista da
Série B, o atacante foi contratado pelo Palmeiras (que iniciava
a parceria com a Parmalat) por indicação de Otacílio Gonçalves,
que também foi para o Palestra Itália.
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"Sobre
a torcida do Paraná não tem nem o que falar. Era o nosso
principal jogador. Todo jogo era com estádio lotado. Era
incrível a energia que passavam. Todo mundo fala que a
torcida é o 12º jogador, para mim, nesse caso, era o
primeiro, o principal." |
1995
Após
conquistar o tricampeonato Paranaense, o Tricolor contratou o
técnico Vanderlei Luxemburgo para comandar a equipe no
Campeonato Brasileiro. Junto com ele veio alguns reforços, entre
eles Maurílio (também vieram Daniel Frasson, Sílvio, etc.).
A passagem
foi curta, já que em 96 foi para o Logroñes, da Espanha. O
atacante participou de alguns jogos históricos, como a primeira
vitória sobre o Palmeiras. O placar foi de 1 a 0, no Couto
Pereira, que estava lotado. O autor do gol foi Edinho Baiano,
com assistência de Maurílio.
O Paraná
terminou aquele Brasileirão em um modesto 13º lugar. Obteve oito
vitórias, nove empates e seis derrotas.
OUTROS
CLUBES
Depois que saiu da Vila Capanema, Maurílio passou por diversos
clubes. Mas afirmou que o carinho e consideração pelo Tricolor
foi mantido e, mesmo que de longe, continuava acompanhando o
time.
"Quando eu
tinha oportunidade de falar sobre o Paraná para algum jogador eu
dizia: vai para lá de olho fechado. É um clube que lhe dá
suporte para trabalhar, que tem uma torcida maravilhosa e que
honra os compromissos", contou. "Assim era com a pessoa com quem
eu tratava esse tipo de coisas, que era o Ocimar Bolicenho. Não
precisava nem pôr no papel e assinar. A palavra dele valia mais
do que isso", complementou.
Como era de
se esperar, o jogador enfrentou o clube que o revelou para o
futebol algumas vezes. "Joguei contra o Paraná diversas vezes.
Por Juventude, Ponte Preta, vários times. Mas a mais marcante
foi pelo Palmeiras, só não lembro em que ano que foi. Sei que
foi no Couto Pereira e eu fiz o gol da vitória. Todo mundo
pensou que eu ia sair correndo, festejando e eu fiquei na minha.
Só ergui o braço".
O BOM FILHO À
CASA VOLTA
Após seis
anos, Maurílo retornava ao Tricolor. Sob o comando do técnico
Paulo Bonamigo, o Paraná oscilou altos e baixos na temporada e
nada conquistou. Foi vice-campeão estadual após empatar as três
partidas decisivas com o time do fim da rua. No Brasileiro fez
uma campanha razoável. Ficou em 14º lugar, com 11 vitórias, três
empates e 13 derrotas.
Sobre quais
foram as principais diferenças que encontrou no Paraná da década
atual para a da passada, o jogador mencionou os problemas
financeiros e o poder dos empresários.
"A
grande diferença é que as coisas foram ficando mais difíceis
para o Paraná. O clube investiu muito dinheiro na década de 90 e
o cofre acabou secando. Também faltou um pouco de sorte, as
coisas que tentavam acabaram não dando certo. Hoje em dia
futebol é muito mais empresário do que clube. Jogador a cada ano
está em um time. O empresário coloca aqui. Deu certo, vende. Não
deu, coloca em outro", relatou. "Antigamente o clube mantinha o
mesmo time por quatro, cinco temporadas. Esse era um dos
diferenciais do Paraná",
acrescentou.
2002
Se em 2001 o
ano foi de altos e baixos, o seguinte foi trágico. "Foi uma
temporada muito ruim para o clube. Mas eu, pessoalmente, fui
bem. Fiz 14 gols e terminei entre os primeiros na artilharia do
Brasileirão".
O clube até
fez uma boa campanha na Copa do Brasil. Liderado por Maurílio,
chegou às Quartas de Final, quando foi eliminado pelo
Corinthians. Perdeu por 3 a 1 no Pacaembu e venceu por 1 a 0 no
Couto Pereira.
Mas o que
ficou marcado mesmo foram os fracassos na final do Paranaense e
a luta contra o rebaixamento à Série B no Brasileiro.
A final do
Estadual era novamente contra o time do fim da rua. Na primeira
partida da decisão, realizada na Arena da Baixada, uma
humilhação. "Eu lembro que naquele jogo o Caio chegou no
vestiário e disse: estão todos achando que estamos com medo.
Então vamos para cima! Fomos e tomamos de seis! Aquilo foi
terrível. Jogo seguinte na Vila conseguimos vencer bem (4 a 1),
mas não teve jeito".
Já no
Brasileirão por pouco que o Tricolor não acabou relegado à
Segunda Divisão Nacional. "Era complicado. Tinha jogos que a
gente entrava, fazia tudo certo mas a coisa não ia. A nossa bola
batia na trave e o adversário ia lá e dava um chutão pra frente
e fazia gol. Desanimava".
Maurílio
revelou que além de problemas técnicos, a equipe sofria com
fatores extra-campo. Vendo que não teria jeito, o atacante
chamou a responsabilidade para si para livrar o Paraná da
degola.
"Existiram
várias conversas entre jogadores, comissão técnica e diretoria.
Em uma delas eu falei para todos que eu assumiria a
responsabilidade, mas pedi para que a de todos os outros também
aumentasse. Graças a Deus deu tudo certo e mesmo estando há
cinco, seis meses sem receber salário conseguimos manter o
Paraná na Primeira Divisão, que é o lugar dele", falou.
O Tricolor só conseguiu
escapar do rebaixamento na última rodada, quando enfrentou o
Figueirense, no Orlando Scarpelli. O empate por 2 a 2, com dois
gols de Maurílio, e a combinação de resultados mantiveram o
Paraná na elite do futebol nacional. "Estávamos
perdendo por 2 a 0. Fiz um gol de pênalti e outro ao tabelar com
um companheiro e bater na entrada da área", recordou o atacante.
Indagado se
essa tinha sido uma das maiores emoções que viveu com a camisa
paranista, o entrevistado demonstrou uma certa mágoa com
determinadas pessoas.
"Foi
uma das maiores emoções e uma das maiores frustrações. Após a
partida todo mundo vinha e batia nas minhas costas dizendo:
conseguimos, conseguimos! Mas depois quando eu voltei, em 2003,
tive problemas com uma pessoa lá dentro e todo mundo que veio me
abraçar virou as costas para mim", desabafou.
Naquele ano, acabaram
rebaixados à Série B os seguintes clubes: Portuguesa, Palmeiras,
Gama e Botafogo. A torcida tricolor elegeu três jogadores como
os grandes responsáveis pela manutenção do Paraná na Primeira
Divisão. Coincidência ou não, os três eram pratas da casa. Além
de Maurílio, se destacaram o goleiro Marcos (hoje no Marítimo,
de Portugal) e o atacante Márcio Nobre (atualmente no futebol
turco).
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"...eu
falei para todos que eu assumiria a responsabilidade,
mas pedi para que a de todos os outros também
aumentasse. Graças a Deus deu tudo certo e mesmo estando
há cinco, seis meses sem receber salário conseguimos
manter o Paraná na Primeira Divisão..." |
SAÍDA
Depois de ter brilhado e assegurado o Tricolor na Série A,
Maurílio acabou indo jogar no futebol da Arábia Saudita. Além
dele, Marcos e Márcio também se despediram do clube. O que
deixou boa parte da torcida bastante decepcionada.
"Eu
fui embora porque o clube não esboçou interesse algum em me
segurar. Avisei eles que recebi uma proposta muito boa do
exterior e não me apresentaram uma proposta sequer", disparou.
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"Foi
uma das maiores emoções e uma das maiores frustrações.
Após a partida todo mundo vinha e batia nas minhas
costas dizendo: conseguimos, conseguimos! Mas depois
quando eu voltei, em 2003, tive problemas com uma pessoa
lá dentro e todo mundo que veio me abraçar virou as
costas para mim." |
RETORNO

A experiência
de Maurílio na Arábia durou pouco mais de seis meses. Revelou
que estava prestes a acertar com o time do fim da rua, quando
surgiu a oportunidade de retornar ao Tricolor. "Quando
eu voltei se duvidar só fizeram proposta pra mim porque ficaram
sabendo do interesse do Atlético. Eles fizeram uma boa proposta
e eu estava interessado, aí surgiu o Paraná na parada e eu
voltei ao clube", disse, ainda demonstrando um certo
desapontamento com os homens que dirigiam o clube.
Como o Paraná
estava fazendo uma campanha razoavelmente boa no Brasileiro
daquele ano, a torcida se empolgou com a chegada de Maurílio e
passou a acreditar na conquista de uma vaga à Libertadores da
América. Mas diferentes das outras vezes que vestiu a vermelha,
a branca e a azul, o ídolo paranista não estava se achando em
campo.
"Quando eu
cheguei não estava em um grande momento técnico. Ainda para
piorar tive sérios problemas com uma pessoa influente lá dentro
do clube. Essa pessoa chegava a ameaçar os técnicos para que
eles não me escalassem", justificou.
O
entrevistado evitou entrar em maiores detalhes sobre essa
pessoa. Não revelou o nome e nem quais foram os motivos do
desentendimento. "Prefiro
não falar quem ela é. Se ela ler isso vai saber que estou
falando dela. A minha vontade é de voltar ao clube algum dia e
espero não ter problemas com ninguém, ainda mais porque essa
pessoa é influente lá dentro".
Apenas
adiantou que esses desentendimentos não foram com o técnico
Saulo de Freitas, que foi um dos quatro comandantes que aquela
equipe teve, como foi se especulado. "Único
problema é que o Saulo chegava e não falava o que estava
acontecendo. Apenas obedecia. Mas deixa ele fazer a vida dele.
Não quero atrapalhar ninguém".
|
"Quando
eu cheguei não estava em um grande momento técnico.
Ainda para piorar tive sérios problemas com uma pessoa
influente lá dentro do clube. Essa pessoa chegava a
ameaçar os técnicos para que eles não me escalassem." |
ÍDOLO DA
TORCIDA
Por todos os
feitos aqui já citados, além de muitos outros, Maurílio é
considerado um dos grandes ídolos do Paraná Clube. Há torcedores
que o consideram como o maior de todos, fato que enche o atleta
de orgulho.
"Ser ídolo no
Paraná Clube representa tudo para mim.
De todos os times que passei a
torcida do Paraná foi a que mas me respeitou, que mais me
valorizou. Isso é uma coisa que eu revelo sempre. E como já
disse: a torcida do Paraná é o primeiro jogador do time, o
melhor".
O carinho que Maurílio
sente pela nação paranista vem desde os tempos que ele jogava no
Tricolor. Tanto é que era um costume do jogador comemorar os
seus gols com a camisa da organizada.
"Sempre
ia comemorar os gols na Fúria com a camisa. Gostava muito dela.
Ela com aquelas bandeiras, incentivando o tempo todo... Não só
ela, mas toda a torcida paranista. Mas eles representam a
torcida do Paraná em um modo geral. A torcida do Paraná é
fantástica", declarou.
PARANISTA DE
CORAÇÃO
Quando
perguntado o que o Tricolor representa para ele, Maurílio
demonstrou certa emoção ao falar. "O Paraná Clube é a minha
casa. Fui criado ali, nasci ali. Tenho um carinho enorme por
esse clube. Eu sou paranista de coração. Quando o Paraná joga eu
sempre assisto. Agora por exemplo, quando jogou na Copa São
Paulo fiquei até triste porque ele perdeu do Avaí. Outra coisa
que eu não gosto é que há cada três, quatro meses o Paraná tem
um time novo. Não há mais vínculo entre jogadores, clube e
torcida. Isso é muito ruim".
JOGO
INESQUECÍVEL
"O
jogo mais marcante foi contra o Juventude, que vencemos por 3 a
1, quando lutávamos para não cair em 2002. Estava no hotel e a
minha mulher ligou me dizendo que estava grávida. Neste jogo fiz
dois gols e brinquei com ela: amor, são gêmeos!", relembrou.
GOL MAIS
BONITO
"Contra
o São Caetano no Brasileiro de 2002 no Couto Pereira foi muito
bonito. Fiz vários gols muito bonitos no Paraná. De bicicleta
contra o Malutrom, dois gols olímpicos contra o Santos, outros
vários. Aqueles dois contra o Figueirense foram marcantes
também", apontou.
MÁGOA COM O
CLUBE
Apesar de ter
tido alguns problemas em sua última passagem pela Vila Capanema,
Maurílio fez questão de dizer que não guarda mágoa e rancor
algum do Paraná. "Com
o clube não. O que eu sempre digo é que a instituição sempre
fica e as pessoas saem".
JOGO DE
DESPEDIDA
Questionado
se pretendia fazer algum jogo de despedida no Tricolor, Maurílio
foi sincero em dizer que não planejou nada ainda, mas gostou da
idéia. "Confesso
que não pensei, mas seria uma boa! Mas tem que ter um acordo.
Não basta o jogador querer e chegar no clube: eu quero fazer um
jogo de despedida! O clube tem que ter interesse também".
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"O
Paraná Clube é a minha casa. Fui criado ali, nasci ali.
Tenho um carinho enorme por esse clube. Eu sou paranista
de coração. Quando o Paraná joga eu sempre assisto.
Agora por exemplo, quando jogou na Copa São Paulo fiquei
até triste porque ele perdeu do Avaí. Outra coisa que eu
não gosto é que há cada três, quatro meses o Paraná tem
um time novo. Não há mais vínculo entre jogadores, clube
e torcida. Isso é muito ruim." |
PERSPECTIVA
PARA 2009
Assim como
qualquer paranista, o atacante torce para que o clube atinja os
objetivos traçados para 2009. Para obter êxito, Maurílio deu a
receita. "Espero
que o Paraná construa um grupo forte e que brigue pelo título
paranaense. Isso dá força ao clube no decorrer do ano. Se ele
vai mal no primeiro semestre desmotiva o elenco e a torcida.
Espero que vá bem e que construa um elenco forte pro Brasileiro.
Com bastante garotos mas com gente para comandá-los. Não adianta
jogar toda a responsabilidade em cima deles".
RECADO PARA A
TORCIDA
Como de
praxe, o Paranistas.com.br pediu para o entrevistado de
janeiro enviar um recado aos tricolores. Maurílio foi bem claro
sobre suas pretensões e objetivos futuros.
"Quero
dizer que ainda não encerrei minhas atividades como jogador e
espero voltar ao clube e ser grande. Seja como jogador, como
integrante da comissão técnica ou mesmo como treinador, que é um
dos meus principais objetivos. Espero também que o Paraná possa
reencontrar o caminho das vitórias e do sucesso", finalizou.
Foto 1: Maurílio - Paraná Clube 1 x 1 Coritiba -
Campeonato Paranaense, 10 de maio de 1992.
Foto 2: Foto histórica - Paraná Clube campeão paranaense
de 1991. Maurílio - segundo sentado, da esquerda para direita.
Foto 3:
Foto histórica - Paraná Clube campeão brasileiro da segunda
divisão de 1992. Maurílio em destaque.
Foto 4: Chegada no aeroporto e desfile em carro
aberto. Paraná Clube campeão brasileiro da segunda divisão
de 1992. Fase Classificatória
Foto 5: Maurílio - Paraná Clube 2 x 1 Londrina -
Campeonato Paranaense, 08 de abril de 1992.
Imagens: arquivo Paraná Clube. Agradecimentos ao
simpático Sr. João Maria Barbosa, responsável pelo setor de
Preservação e Memória do Paraná Clube.